Elisa levantou os olhos e encontrou o olhar do homem.
Ela ficou um pouco surpresa e, de repente, comentou de forma provocativa: "Sr. Faria, está tão interessado na minha vida pessoal? Quem não sabe pode até pensar que o Sr. Faria está tentando roubar o coração de alguém."
Com essas palavras, Renato, que estava prestes a se afastar, subitamente se sentou novamente ao lado da cama.
O homem a olhou com uma expressão indecifrável: "E se eu realmente estiver pensando nisso?"
Elisa ficou atônita por um momento, seus olhos cruzaram com os dele.
No fundo dos olhos do homem, havia uma emoção que ela não conseguia entender.
Ela abaixou os olhos e sorriu: "Nesse caso, talvez o Sr. Faria fique desapontado. Eu sou apenas uma pessoa comum, não consigo me desvencilhar tão rapidamente de um relacionamento anterior, ainda mais quando..."
Ainda mais quando ela já havia decidido voltar para casa e se casar.
Renato hesitou um pouco, seus olhos claros e escuros semicerrados.
Ele segurou suavemente o pulso dela: "Você está com... medo?"
Elisa ficou paralisada, suas pestanas tremularam levemente.
Medo? Talvez não.
Ela dedicou três anos a Vicente, e nestes três anos, entregou-se de corpo e alma.
Mesmo que tenha escolhido terminar esse relacionamento, não conseguiu se desprender completamente em tão pouco tempo.
Escolher se casar provavelmente significaria um casamento de conveniência com seu futuro parceiro.
Renato observou suas sobrancelhas, seu olhar era enigmático.
Depois de um momento, ele soltou uma risada suave.
"Você não é uma pessoa medrosa, nem alguém que se acomoda por estar ferida."
A voz do homem era grave e envolvente, carregava uma forte sensação de conforto, seus olhos eram profundos: "A Elisa que eu conheço não é assim."
Ela sempre foi uma rosa que floresce intensamente.
Vicente ou qualquer outra pessoa não deveriam impedir essa rosa de desabrochar.
Ele parou novamente, os lábios finos se curvaram levemente, e ele disse com significado: "Além disso, Srta. Rios só não encontrou a pessoa certa, talvez logo alguém mais adequado apareça para você."
Elisa levantou os olhos, encontrou o olhar gentil dele, e seu coração acelerou por um momento.
Ela sorriu: "Talvez."
"Já está tarde, descanse bem. Tenho algumas coisas para resolver, quando tiver tempo, volto para vê-la."
Renato levantou-se novamente e, instintivamente, puxou o cobertor dela um pouco mais para cima.
Essa cena, naturalmente, ficou gravada nos olhos de Elisa.
"Obrigada."
Elisa levantou os olhos para agradecê-lo, suas sobrancelhas relaxaram consideravelmente.
Quando sorriu, seus olhos se curvaram, fazendo o homem à sua frente ficar um pouco atordoado.
...
Nos dias seguintes, Elisa permaneceu no hospital.
A cuidadora que Renato havia contratado estava disponível 24 horas por dia, praticamente atendendo a todas as suas necessidades.
No dia da alta, Elisa pediu à cuidadora que cuidasse dos procedimentos de saída e decidiu sair sozinha.
Assim que abriu a porta do quarto, uma figura familiar apareceu à sua frente.
Era Renato.
"Sr. Faria, o que faz aqui?"
Que estranho, ela nem perguntou por que ele estava com Clara.
Os olhos de Elisa ficaram mais frios, ela não disse nada.
Ao ver sua atitude, Clara fingiu um tom de voz magoado: "Elisa, não fique brava... Eu me machuquei sem querer na mão, e Irmão Vicente insistiu em me trazer ao hospital..."
Enquanto falava, Clara levantou a mão esquerda, apontando para o dorso da mesma.
Havia, de fato, um ferimento ali.
Mas era tão superficial que, se não olhasse de perto, mal se notava.
Quando Elisa viu o ferimento, uma frieza surgiu em seus olhos.
Afinal, para a pessoa amada, até mesmo um pequeno corte merecia tanto alarde?
"Se demorasse mais um pouco, já teria cicatrizado."
Uma voz grave caiu nos ouvidos de Elisa.
Ela virou a cabeça e viu o sorriso despreocupado nos olhos de Renato, que parecia conter uma leve ironia.
Clara Nunes ficou com a expressão fechada ao ouvir essas palavras.
Vicente franziu a testa abruptamente, seus olhos fixos em Elisa, seu rosto bonito estava tomado por raiva.
Os dois à sua frente formavam um belo par, o homem era alto e charmoso, enquanto sua Elisa, delicada e encantadora, quase se escondia atrás dele.
Deixando o homem liderar a situação.
Quão sugestivo.
O ciúme quase consumiu toda a razão de Vicente.
Por um momento, ele riu de raiva e estendeu a mão para Elisa, com um tom de quem tenta convencer uma criança: "Elisa, vem para cá."

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