Mas naquela época, Elisa já estava completamente envolvida pelo charme de Vicente, sem ouvir os conselhos de ninguém.
"Elisa, encontrei seu irmão outro dia e ele disse que você vai voltar para a Capital em vinte e poucos dias para se casar. Isso é verdade?"
Do outro lado do telefone, a voz ligeiramente curiosa de Valentina ecoou.
"É verdade."
O rosto de Elisa esboçou um sorriso amargo.
"Três anos se passaram e você finalmente enxergou a verdade sobre ele." A voz de Valentina era tranquila. "Ele fez algo para te magoar, foi por isso que você tomou essa decisão?"
"Clara veio para Cidade Aurora, agora eles moram juntos e ele ainda me expulsou de casa."
O sorriso amargo de Elisa se intensificou.
"O quê?" A voz de Valentina subiu alguns tons, incrédula. "Ele realmente te expulsou?"
Elisa contou toda a história para Valentina.
Elas estavam juntas há três anos, e ninguém conhecia os detalhes tão bem quanto Valentina.
"Quem está envolvido não vê, mas quem está de fora percebe tudo!" O suspiro de Valentina ressoou pelo celular. "Desde o início, eu não via futuro nesse relacionamento. Agora que decidiu terminar, não olhe para trás, entendeu?"
"Claro que sim." Os olhos de Elisa ganharam um brilho frio. "Depois desse tempo, vou jantar com ele uma última vez e encerrar tudo de vez."
"É bom que você tenha entendido. Quando você voltar, as amigas vão te levar para se divertir."
"Obrigada, Valentina."
Elisa olhou para a paisagem pela janela, com um toque de ternura no olhar.
O riso de Valentina ecoou pelo telefone: "Somos amigas, não precisa agradecer."
Após desligar o telefone, Elisa ficou um pouco mais séria.
Era uma cena extremamente sugestiva.
"Eu te disse para não beber tanto, por que continua bebendo?"
A voz de Vicente baixou alguns tons, mas ainda estava cheia de ternura.
"Irmão Vicente, eu só queria ajudá-lo a conquistar esse cliente. Afinal, já faz um tempo que estou aqui, e todos dizem que entrei pela porta dos fundos. Não quero perder para Elisa..."
"Não se importe com isso."
"Como não me importar?" Clara parou de caminhar e olhou nos olhos do homem à sua frente. "Irmão Vicente, me diga, eu sou pior que Elisa?"
"Você é ótima, em tudo!" Vicente foi obrigado a parar também. "Você já está muito bêbada, vamos para casa, tá bom?"
"Não, você precisa escolher." Clara segurou o braço dele, insistindo. "Entre eu e ela, quem é melhor?"

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