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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 88

Por volta das 11h30, Henrique acabava de retornar ao escritório quando a secretária se aproximou.

— Sr. Henrique, há um senhor na recepção que se identificou como irmão da Sra. Tatiane. Ele pediu para falar com o senhor.

Henrique interrompeu o passo por um instante.

— Pode mandar subir.

— Sim, senhor.

Pouco depois, Cristiano entrou no escritório.

Era a primeira vez que os dois se encontravam de forma oficial.

Henrique segurava um copo de água e caminhava do bebedouro em direção à mesa quando olhou para o homem à sua frente.

— Sente-se.

— Não é necessário. — Respondeu Cristiano, mantendo uma distância clara. — Eu só vim dizer algumas coisas.

Henrique lançou-lhe um olhar breve. Em seguida, acomodou-se na cadeira, apoiou o copo sobre a mesa e perguntou, com calma:

— Diga.

Cristiano deu alguns passos à frente.

— O senhor certamente já viu as notícias que circularam na internet ontem à noite. — A voz dele era controlada, mas carregava tensão. — As pessoas que promoveram o ataque virtual contra a minha irmã… O senhor já pensou em como vai lidar com isso?

Os dedos de Henrique pousaram sobre a superfície da mesa.

O indicador começou a bater lentamente, para cima e para baixo.

Ele ergueu o olhar para Cristiano e devolveu a pergunta, num tom impossível de decifrar:

— E você? Como acha que isso deveria ser tratado?

Cristiano soltou um sorriso curto, carregado de ironia.

— Então parece que o Sr. Henrique nem sequer considerou essa questão.

Henrique permaneceu em silêncio.

O som seco do dedo batendo na mesa continuou ecoando no ambiente amplo e elegante, marcando, com precisão fria, a distância entre os dois homens.

— As pessoas que instigaram o ataque virtual contra a minha irmã. — Disse Cristiano, com a voz firme. — Eu já consegui identificar três delas.

Enquanto falava, tirou uma foto do bolso interno do casaco e a colocou sobre a mesa, empurrando-a na direção de Henrique.

— O Sr. Henrique reconhece alguém aqui?

Henrique pegou a fotografia.

Era uma foto em grupo.

Karine estava sentada numa banqueta, sorrindo para a câmera. Ao redor dela, três garotas a cercavam, numa postura quase protetora, ou melhor, reverente, como se ela fosse o centro absoluto da cena. Todas sorriam radiantes.

Henrique observou a imagem por alguns segundos. Depois, devolveu-a à mesa e ergueu o olhar para Cristiano.

— O que você pretende fazer é uma escolha sua. — Disse, num tom calmo demais. — Mas deixo um conselho. Só faça aquilo que esteja à altura da sua capacidade.

Cristiano soltou um riso curto, sem humor algum.

— Minha irmã sofreu ataques completamente injustificados. — Respondeu. — O Sr. Henrique pode se dar ao luxo de ficar acima disso, fingindo que não é da sua conta. Eu, como irmão, não posso.

— Cris, o que o meu primo disse?

Assim que a crise estourou na internet, Roberto tinha procurado Cristiano imediatamente.

A pedido dele, a equipe da empresa iniciara a investigação. Embora as envolvidas tivessem apagado as contas logo após o ocorrido, ainda assim foi possível rastrear suas identidades reais. Todas vinham de famílias com certo peso e influência.

No hospital, Roberto e Cristiano haviam conversado longamente sobre como lidar com a situação.

No fim, Cristiano decidira vir pessoalmente falar com Henrique.

A reação dele não o surpreendera em nada.

— Sobre a Tati, ele não vai se envolver. — Disse Cristiano, direto.

Do outro lado da linha, houve alguns segundos de silêncio.

Era evidente que Roberto tentava conter a própria irritação.

— Então. — A voz saiu mais baixa. — O que você pretende fazer agora, Cris?

— Seguir pelos meios legais.

— Certo. — Respondeu Roberto, sem hesitar. — No que precisar, é só me falar. Estou com você.

— Obrigado. — Cristiano fez uma pausa. — E a Tati? Como ela está agora?

— O médico acabou de examiná-la. — Disse Roberto. — Já está com oito centímetros de dilatação.

— Entendi.

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