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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 77

No dia seguinte, Tatiane recebeu uma ligação de Lorena pedindo que ela fosse até sua casa ainda naquele dia.

Tatiane não tinha muita escolha. Precisava ir.

Por volta das onze da manhã, Cristiano a levou de carro até a casa de Lorena.

O veículo parou em frente ao portão.

Roberto havia dormido ali na noite anterior. Sabendo que Tatiane viria, ficou esperando do lado de fora. Ao ver Cristiano chegar com ela, aproximou-se para cumprimentá-lo.

— Tati, você entra com o Beto primeiro. — Disse Cristiano.

— Tá bom.

Roberto então olhou para Cristiano e o convidou com naturalidade:

— Cris, já que veio até aqui, entra com a gente.

Cristiano balançou a cabeça, recusando com um sorriso educado:

— Não precisa. Vai lá com a Tati.

Havia muito tempo que a família Barbosa não convidava ninguém da família Oliveira para absolutamente nada. Se ele entrasse agora, só deixaria o clima ainda mais constrangedor para os dois lados.

Roberto entendeu e não insistiu.

— Eu cuido da Tati. Depois, na hora de ir embora, eu levo ela pra casa.

— Tá bom.

Nesse momento…

Um Bentley se aproximou, deslizando lentamente pela rua, e entrou pelo portão da casa de Lorena.

Tatiane reconheceu o carro de imediato.

Era de Henrique.

— Vamos. — Disse Roberto, em voz baixa.

Os dois atravessaram o portão e entraram na casa.

A barriga de Tatiane já estava grande, visivelmente próxima do parto. Ela caminhava devagar, com uma mão apoiando a lombar e a outra protegendo o ventre.

Conversava distraidamente com Roberto pelo caminho e, assim, o cansaço parecia menor. Atravessaram o jardim interno e seguiram em direção à casa principal.

Só quando finalmente entraram no salão principal é que ela sentiu o peso do percurso.

Lorena e Bianca já estavam sentadas na sala de estar.

Henrique não estava ali.

Tatiane se aproximou e chamou com respeito:

— Vó.

Em seguida, seu olhar pousou em Bianca. Houve uma breve pausa antes de completar, em tom contido:

— Mãe.

Bianca lançou-lhe um olhar frio.

Não respondeu.

Henrique tinha aqueles olhos negros e profundos, como se fossem capazes de atravessar qualquer disfarce e enxergar direto o coração das pessoas. Ele encarou Roberto por alguns instantes e perguntou, em voz baixa, mas firme:

— Você gosta dela?

As palavras caíram como um golpe seco.

O corpo de Roberto enrijeceu imediatamente.

No fundo, ele sempre soubera. Nada escapava aos olhos de Henrique. Ele podia enganar todo mundo, menos ele.

Roberto virou levemente o corpo e desviou o olhar para fora da janela.

Não negou.

— Sim. — A voz saiu controlada. — A gente se conhece desde o ensino fundamental. Eu gostei dela por muitos anos. Talvez, pra você, ela não fosse bonita o suficiente. Talvez achasse que não combinava com você. Mas a Tati era linda. — Ele respirou fundo. — Posso dizer isso com toda certeza. A Karine não chega nem a um décimo dela. E a beleza… Nem era o melhor que ela tinha. Era só um detalhe.

Henrique ouviu tudo em silêncio.

O rosto permaneceu impassível, sem qualquer alteração visível.

— Minha mãe me contou que foi a Tati quem te dopou, que vocês tiveram uma relação forçada… E que a gravidez veio disso. — Disse Roberto de repente.

Um sorriso frio, quase irônico, surgiu no canto de sua boca.

— Mas, pelo que eu conheço dela, mesmo gostando de você como gostava, ela jamais faria uma coisa dessas.

Enquanto falava, virou o rosto e encarou o perfil impecável de Henrique, que continuava sem qualquer expressão.

— Claro que eu não tenho o direito de te dar sermão. — Continuou, agora em um tom mais grave. — Mas, como homem… Você não acha que deveria, no mínimo, respeitar a mulher que está grávida da sua filha?

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