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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 25

A mão pousada sobre o baixo-ventre se apertou sem que ela percebesse.

O canto dos lábios de Tatiane se ergueu num arco amargo, quase irônico.

Afinal… O que ela ainda esperava?

Ela lembrou-se das duas vezes em que encontrara o irmão de Karine. À primeira vista, ele parecia alguém bem mais sensato, mais razoável.

Quando o carro se aproximou da estação de metrô à frente, Tatiane se dirigiu ao motorista:

— Pode parar ali na entrada do metrô, por favor.

Ela simplesmente não conseguia mais suportar ouvir Henrique falando com tanta delicadeza com outra mulher. Eramelhor deixar aquele espaço apenas para os dois.

O motorista lançou um olhar pelo retrovisor, observando a reação de Henrique.

Henrique murmurou algumas palavras para tranquilizar Karine e, em seguida, desligou a ligação.

Tatiane lançou-lhe um olhar de lado e disse:

— Vou ficar em casa, cuidando da gravidez, até dar à luz esta criança.

"Assim, você também pode voltar a morar tranquilo em casa."

Essa frase ficou apenas ecoando dentro do coração dela. Nunca fora dita em voz alta.

Então era isso.

Estar no mesmo espaço que ela parecia lhe causar repulsa.

Ao recordar o passado, Tatiane percebeu tudo com clareza. Do começo ao fim, Henrique nunca lhe dera um único olhar verdadeiro. Toda aquela submissão, toda a tentativa desesperada de agradar, não passara de uma troca humilhante por uma migalha de vaidade, apenas por ostentar o título de esposa dele. No fim, tudo aquilo só a transformara numa piada completa.

Henrique apenas lhe lançou um breve olhar antes de desviar os olhos novamente. O rosto permaneceu indiferente.

— Faça como quiser.

O carro parou lentamente na entrada da estação.

Tatiane empurrou a porta, movimentou o corpo com cuidado e desceu. No instante em que seus pés tocaram o chão, uma rajada de vento frio veio de frente, ardendo nos olhos, deixando-os avermelhados.

Ela caminhou em direção à estação de metrô.

Atrás dela, o carro não hesitou sequer por um segundo. Ligou e partiu devagar, desaparecendo na noite.

Tatiane diminuiu o passo sem perceber.

Ergueu o rosto, deixando o vento frio bater livremente em suas bochechas, até o nariz arder levemente. Inspiroufundo, forçando as emoções turbulentas no peito a se acalmarem.

No fundo, porém, Tatiane sabia bem: aquilo tudo não era por ela, mas apenas pela criança.

Ao guardar o colar, seus olhos recaíram sobre a pérola branca australiana dentro da gaveta. Ela a pegou e a observoucom atenção. Agora, ao examiná-la com mais cuidado, percebeu que havia ali uma pequena imperfeição.

Tatiane permaneceu em silêncio por um instante.

Não pensou mais nisso. Colocou a pérola dentro da bolsa. Mantê-la consigo só lhe causava incômodo. Melhor encontrar uma oportunidade e devolvê-la a Karine.

No dia seguinte, uma segunda-feira, era o último dia de transição de trabalho. Logo cedo, a diretoria realizou uma grande reunião.

Claro, aquilo já não tinha muito a ver com alguém prestes a deixar a empresa, uma funcionária de baixo escalão como ela.

No entanto, após o término da reunião matinal, o clima dentro da empresa mudou de forma perceptível.

Era como se uma nuvem pesada e escura tivesse se instalado sobre o prédio inteiro, pressionando o ar, tornando difícil até respirar.

Quando Tatiane foi até a copa pegar água, ouviu cochichos ao redor:

— A Alvorada Investimentos levou o projeto da Oceânica Brasil. Eram quase trinta bilhões em jogo. O prejuízo foi enorme, e o senhor Henrique ficou furioso.

Ao ouvir aquilo, o movimento da mão de Tatiane se interrompeu no meio do gesto enquanto ela enchia o copo.

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