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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 140

De todas as pessoas do mundo, tinha de ser justamente ele.

E, ainda por cima, daquele jeito, por pura coincidência.

O destino realmente parecia gostar de brincar com ela.

Henrique pediu um café. Ao que tudo indicava, ele também estava ali esperando alguém.

Tatiane manteve os olhos na tela do notebook, fingindo que o homem à sua frente não existia.

Nesse meio-tempo, recebeu uma ligação de Leandro. Ele disse que chegaria em cerca de dez minutos.

— Certo.

Tatiane guardou o celular e se levantou para ir ao banheiro.

Quando voltou, viu o homem sentado exatamente na cadeira à sua frente.

Tatiane ficou atônita.

Os olhos escuros de Henrique a encaravam, profundos e sombrios.

Ela recobrou a compostura, deu um passo adiante e o advertiu com firmeza:

— Sr. Henrique, este lugar está ocupado.

Henrique tirou o celular do bolso e, num tom arrogante e autoritário, disse:

— Qual é o seu número?

Tatiane arregalou levemente os olhos ao encará-lo.

Então ouviu a voz fria do homem:

— Não entenda errado. Eu não tenho interesse em você. A minha filha...

Tatiane pegou a xícara de café e jogou o conteúdo diretamente no rosto dele.

O líquido escuro escorreu pelo rosto de Henrique, desceu pelo pescoço e entrou pela gola da camisa, manchando boa parte do tecido. A franja sobre sua testa ficou encharcada no mesmo instante.

A cena deixou todos ao redor boquiabertos.

Tatiane pegou o notebook e a bolsa, virou-se e saiu a passos largos.

Ao ver aquilo, o garçom correu às pressas para buscar uma toalha úmida.

Tatiane não foi muito longe quando deu de frente com alguém que vinha em sua direção.

O homem vestia uma camiseta branca e calças retas em tom claro, num estilo mais casual. Sua presença era contida, estável, mas, comparado a cinco anos antes, havia agora um traço mais duro, mais implacável, escondido no fundo do olhar.

Tatiane apenas lhe lançou um olhar antes de seguir em frente, sem parar.

Felipe, porém, ficou imóvel onde estava, como se não tivesse conseguido reagir a tempo. Só quando ela já estava longe ele se virou para olhar para trás.

Continuou observando até a silhueta dela desaparecer por completo.

Então recolheu o olhar e seguiu para a varanda.

Foi então que viu Henrique enxugando o rosto com uma toalha, os fios molhados da franja caindo soltos sobre a testa.

Assim que se aproximou, sentiu no ar o cheiro forte de café impregnado nele.

Os dois seguiram em direção à saída.

Justamente nesse momento, Leandro entrou pela porta principal. Ao ver os dois, teve um breve sobressalto ao notar Henrique naquele estado, mas logo recompôs a expressão e os cumprimentou com um sorriso discreto:

— Sr. Henrique, Sr. Felipe... Quanto tempo.

— Pois é, faz tempo mesmo. Como você tem passado? — Felipe respondeu no mesmo tom.

Leandro assentiu de leve.

— Tudo bem. E vocês?

Felipe fez um pequeno gesto com a cabeça.

Trocaram apenas algumas palavras de cortesia antes de se despedirem.

Henrique e Felipe seguiram adiante.

Leandro entrou no saguão e logo avistou Tatiane sentada no sofá. Caminhou até ela a passos largos e se sentou à sua frente.

— Pedi um café para você. — Disse Tatiane.

Leandro pegou a xícara, tomou um gole e comentou:

— O sabor é bem encorpado.

Enquanto pousava a xícara de volta sobre a mesa, ergueu os olhos para ela e perguntou:

— Acabei de cruzar com Henrique. Vocês se encontraram?

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