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Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora romance Capítulo 139

Henrique suavizou a voz ao dizer:

— Se a outra pessoa não quiser, a Bia também gostaria que o papai a obrigasse a aceitar?

Ao ouvir isso, Bia ergueu o rosto e olhou para o pai.

— E se, por causa disso, ela acabar ficando chateada com você?

Bia baixou a cabeça.

Ficou em silêncio por um instante antes de murmurar:

— A tia Evelyn não ficaria chateada comigo.

Mas, dessa vez, já não havia tanta convicção em sua voz.

A tia Evelyn realmente havia dito que estava ocupada com o trabalho.

Pensando bem, se insistisse para que ela a acompanhasse, será que a tia Evelyn ficaria incomodada?

Só de imaginar a tia Evelyn zangada, ou deixando de gostar dela, o coraçãozinho de Bia se apertou de um jeito difícil de explicar.

Nesse momento, a voz de Bianca veio do lado de fora da porta:

— Está bem, agora venham tomar café.

Bia saiu do quarto seguindo o pai.

Quando chegou à sala de jantar, viu os avós e os cumprimentou com sua voz doce:

— Vovô, vovó.

Wallace se aproximou, pegou a neta no colo e perguntou com carinho:

— Bia, que tal passar os próximos dias aqui com o vovô e a vovó?

Tatiane acordou sentindo o corpo inteiro pesado, como se a cabeça flutuasse enquanto os pés mal tocavam o chão.

Com esforço, apoiou-se para se levantar, afastou o cobertor e saiu da cama. Depois de se lavar, se arrumar e tomar um pouco de água morna, enfim sentiu o mal-estar amenizar um pouco.

Foi então que a campainha tocou.

Tatiane foi abrir a porta.

Leandro estava do lado de fora, com o café da manhã nas mãos.

Na noite anterior, ele a havia levado de volta para casa, em Enseada Azul. Leandro também tinha um apartamento espaçoso naquele condomínio.

— Professor...

Leandro ergueu levemente a sacola que carregava.

— Trouxe café da manhã para você.

Tatiane se afastou um passo para deixá-lo entrar. Leandro foi até a sala de jantar, pousou a sacola sobre a mesa e perguntou:

— E agora? Como você está se sentindo? Ainda está passando mal?

— Já estou bem melhor. Obrigada por me trazer de volta ontem à noite, professor.

Leandro curvou os lábios em um sorriso discreto enquanto arrumava o café sobre a mesa.

— Então coma primeiro.

Tatiane olhou para o desjejum farto diante de si. Parecia café da manhã de hotel cinco estrelas e, por coincidência ou não, só havia ali coisas de que ela gostava.

Leandro sentou-se à sua frente e a acompanhou na refeição.

Só então perguntou:

— Ontem... Você ficou mal?

O movimento da colher de Tatiane parou por um instante no meio do caminho.

Ela não escondeu nada de Leandro.

Contou a ele, em detalhes, o que acontecera no dia anterior, quando foi à Vértice Holdings e encontrou Bia.

Leandro soltou um comentário em tom de suspiro:

— Pelo visto, laço de mãe e filha é mesmo uma coisa que não se explica.

Tatiane sorriu, mas havia amargura naquele sorriso.

— Talvez... De todo modo, Henrique cuidou muito bem dela.

Ainda que ele a tivesse ferido daquela forma no passado, agora, depois de ver Bia, Tatiane sentia que tudo o que sofrera antes já não importava tanto.

Mas, ao pensar em Karine, um peso incômodo tornava a se espalhar por seu peito.

— Pelo menos isso prova que Henrique não é exatamente alguém sem coração. — Comentou Leandro.

Os três continuaram conversando por mais um tempo.

Então Roberto perguntou a Tatiane se ela queria sair para voar de parapente no dia seguinte.

O esporte de que Tatiane mais gostava era justamente o parapente. Ela adorava aquela sensação de liberdade absoluta, o céu aberto, o vento envolvendo o corpo.

Só que, no dia seguinte, ela realmente não teria tempo.

— Vamos deixar para o fim de semana. Amanhã marquei de encontrar o Leandro para conversar sobre trabalho.

Roberto apertou os lábios antes de responder:

— Está bem.

Na manhã seguinte, Tatiane chegou mais cedo ao lugar onde havia marcado de encontrar Leandro.

Sentou-se na varanda. Ao longe, o lago azul se estendia em uma paisagem serena e deslumbrante. O céu estava encoberto naquele dia, e uma brisa leve soprava devagar.

O garçom trouxe uma xícara de café.

Tatiane agradeceu baixinho, levou a xícara aos lábios e tomou um gole. Em seguida, voltou a atenção para a tela do notebook, onde uma sucessão de dados complexos se espalhava diante de seus olhos. Sua expressão estava concentrada, séria, completamente absorta.

Foi então que seu celular tocou.

Durante toda a ligação, Tatiane conversou em inglês com a outra pessoa. De vez em quando, sorria com delicadeza e educação. A conversa fluía com tanta naturalidade que era impossível não perceber o quanto ela estava à vontade.

A brisa ergueu alguns fios de cabelo junto à sua orelha. Ela levantou a mão para prendê-los atrás dela. Nesse exato instante, um feixe de sol atravessou as nuvens e caiu sobre seu corpo.

Por um breve momento, ela pareceu envolta em luz.

Até os fios de cabelo ganharam reflexos dourados, e o sorriso em seus lábios se tornou ainda mais vivo, radiante, bonito de um jeito quase impossível de ignorar.

Tatiane encerrou a ligação.

Estava prestes a levar novamente a xícara à boca quando percebeu algo pelo canto do olho. Virou o rosto e ficou imóvel por um instante.

A proporção do corpo do homem era impecável, privilegiada ao extremo. Ele vestia uma camisa de cetim azul-escura e calças pretas de corte reto. Havia menos da rigidez madura de um executivo e mais da elegância despreocupada de um herdeiro acostumado a ter tudo ao seu alcance.

Só que aquele rosto belo e aristocrático continuava o mesmo de sempre: calmo, distante, frio.

Não importava onde estivesse, ele sempre era o tipo de presença que atraía todos os olhares no mesmo instante.

Enquanto Tatiane o observava, o homem apenas lhe lançou um olhar breve. Então, guiado pelo garçom, caminhou naquela direção e se sentou à mesa ao lado, exatamente de frente para ela, separado apenas por uma mesa vazia entre os dois.

A mesa do meio ainda não havia sido ocupada.

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