Henrique suavizou a voz ao dizer:
— Se a outra pessoa não quiser, a Bia também gostaria que o papai a obrigasse a aceitar?
Ao ouvir isso, Bia ergueu o rosto e olhou para o pai.
— E se, por causa disso, ela acabar ficando chateada com você?
Bia baixou a cabeça.
Ficou em silêncio por um instante antes de murmurar:
— A tia Evelyn não ficaria chateada comigo.
Mas, dessa vez, já não havia tanta convicção em sua voz.
A tia Evelyn realmente havia dito que estava ocupada com o trabalho.
Pensando bem, se insistisse para que ela a acompanhasse, será que a tia Evelyn ficaria incomodada?
Só de imaginar a tia Evelyn zangada, ou deixando de gostar dela, o coraçãozinho de Bia se apertou de um jeito difícil de explicar.
Nesse momento, a voz de Bianca veio do lado de fora da porta:
— Está bem, agora venham tomar café.
Bia saiu do quarto seguindo o pai.
Quando chegou à sala de jantar, viu os avós e os cumprimentou com sua voz doce:
— Vovô, vovó.
Wallace se aproximou, pegou a neta no colo e perguntou com carinho:
— Bia, que tal passar os próximos dias aqui com o vovô e a vovó?
Tatiane acordou sentindo o corpo inteiro pesado, como se a cabeça flutuasse enquanto os pés mal tocavam o chão.
Com esforço, apoiou-se para se levantar, afastou o cobertor e saiu da cama. Depois de se lavar, se arrumar e tomar um pouco de água morna, enfim sentiu o mal-estar amenizar um pouco.
Foi então que a campainha tocou.
Tatiane foi abrir a porta.
Leandro estava do lado de fora, com o café da manhã nas mãos.
Na noite anterior, ele a havia levado de volta para casa, em Enseada Azul. Leandro também tinha um apartamento espaçoso naquele condomínio.
— Professor...
Leandro ergueu levemente a sacola que carregava.
— Trouxe café da manhã para você.
Tatiane se afastou um passo para deixá-lo entrar. Leandro foi até a sala de jantar, pousou a sacola sobre a mesa e perguntou:
— E agora? Como você está se sentindo? Ainda está passando mal?
— Já estou bem melhor. Obrigada por me trazer de volta ontem à noite, professor.
Leandro curvou os lábios em um sorriso discreto enquanto arrumava o café sobre a mesa.
— Então coma primeiro.
Tatiane olhou para o desjejum farto diante de si. Parecia café da manhã de hotel cinco estrelas e, por coincidência ou não, só havia ali coisas de que ela gostava.
Leandro sentou-se à sua frente e a acompanhou na refeição.
Só então perguntou:
— Ontem... Você ficou mal?
O movimento da colher de Tatiane parou por um instante no meio do caminho.
Ela não escondeu nada de Leandro.
Contou a ele, em detalhes, o que acontecera no dia anterior, quando foi à Vértice Holdings e encontrou Bia.
Leandro soltou um comentário em tom de suspiro:
— Pelo visto, laço de mãe e filha é mesmo uma coisa que não se explica.
Tatiane sorriu, mas havia amargura naquele sorriso.
— Talvez... De todo modo, Henrique cuidou muito bem dela.
Ainda que ele a tivesse ferido daquela forma no passado, agora, depois de ver Bia, Tatiane sentia que tudo o que sofrera antes já não importava tanto.
Mas, ao pensar em Karine, um peso incômodo tornava a se espalhar por seu peito.
— Pelo menos isso prova que Henrique não é exatamente alguém sem coração. — Comentou Leandro.
Os três continuaram conversando por mais um tempo.
Então Roberto perguntou a Tatiane se ela queria sair para voar de parapente no dia seguinte.
O esporte de que Tatiane mais gostava era justamente o parapente. Ela adorava aquela sensação de liberdade absoluta, o céu aberto, o vento envolvendo o corpo.
Só que, no dia seguinte, ela realmente não teria tempo.
— Vamos deixar para o fim de semana. Amanhã marquei de encontrar o Leandro para conversar sobre trabalho.
Roberto apertou os lábios antes de responder:
— Está bem.
Na manhã seguinte, Tatiane chegou mais cedo ao lugar onde havia marcado de encontrar Leandro.
Sentou-se na varanda. Ao longe, o lago azul se estendia em uma paisagem serena e deslumbrante. O céu estava encoberto naquele dia, e uma brisa leve soprava devagar.
O garçom trouxe uma xícara de café.
Tatiane agradeceu baixinho, levou a xícara aos lábios e tomou um gole. Em seguida, voltou a atenção para a tela do notebook, onde uma sucessão de dados complexos se espalhava diante de seus olhos. Sua expressão estava concentrada, séria, completamente absorta.
Foi então que seu celular tocou.
Durante toda a ligação, Tatiane conversou em inglês com a outra pessoa. De vez em quando, sorria com delicadeza e educação. A conversa fluía com tanta naturalidade que era impossível não perceber o quanto ela estava à vontade.
A brisa ergueu alguns fios de cabelo junto à sua orelha. Ela levantou a mão para prendê-los atrás dela. Nesse exato instante, um feixe de sol atravessou as nuvens e caiu sobre seu corpo.
Por um breve momento, ela pareceu envolta em luz.
Até os fios de cabelo ganharam reflexos dourados, e o sorriso em seus lábios se tornou ainda mais vivo, radiante, bonito de um jeito quase impossível de ignorar.
Tatiane encerrou a ligação.
Estava prestes a levar novamente a xícara à boca quando percebeu algo pelo canto do olho. Virou o rosto e ficou imóvel por um instante.
A proporção do corpo do homem era impecável, privilegiada ao extremo. Ele vestia uma camisa de cetim azul-escura e calças pretas de corte reto. Havia menos da rigidez madura de um executivo e mais da elegância despreocupada de um herdeiro acostumado a ter tudo ao seu alcance.
Só que aquele rosto belo e aristocrático continuava o mesmo de sempre: calmo, distante, frio.
Não importava onde estivesse, ele sempre era o tipo de presença que atraía todos os olhares no mesmo instante.
Enquanto Tatiane o observava, o homem apenas lhe lançou um olhar breve. Então, guiado pelo garçom, caminhou naquela direção e se sentou à mesa ao lado, exatamente de frente para ela, separado apenas por uma mesa vazia entre os dois.
A mesa do meio ainda não havia sido ocupada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
Estava gostando muito da história, mas agora perdeu o encanto. A Tati deveria se divorciar do Henrique. E ficar com o Leandro. O título do Livro não tem nada a ver com a história. Acho que nem vou ler o restante....
"O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores", e é por isso que vocês entregam apenas 3/4 do texto original quando começamos a pagar com as moedas? Porque sempre faltam falas e a gente acaba ficando sem entender algumas coisas. Corrijam isso....
390 capítulos e ele não decide o que faz com ela além de humilhar, 390 capítulos que o irmão lerdo não vê que ela é a irmã que ele tanto procura, ela não entendeu até agora que o pai foi forçado a pedir pra ela sair do pais por conta da mãe monstra dela, história que tinha tudo para ser boa tá andando em circulos... vamos melhorar por favor!...
30 capítulo e não aconteceu nada de interessante, esse cara é ridículo, a história tá perdendo enredo, era pra tá prendendo a gente , mas já tá um saco, li até aqui e não vi sentido algum. Me desculpa só sendo sincera…...