— Daniela!
A porta do depósito foi arrombada.
No instante em que Eduardo viu a cena lá dentro, sua respiração travou.
Daniela estava deitada em uma poça de sangue, ainda segurando uma faca tática manchada.
O corpo inteiro dela tremia.
O rosto estava sujo de sangue, em um contraste vermelho e brutal com a palidez extrema de sua pele naquele momento.
O homem tatuado estava caído no chão, convulsionando.
O sangue jorrava do corpo dele como uma fonte.
Pouco depois, o corpo em espasmos parou de tremer, e ele já não respirava mais.
Nos olhos de Daniela, cheios de lágrimas, não havia nenhum brilho.
— Salva meus bebês...
Eduardo correu cambaleando até ela.
Sem dar importância aos ferimentos pelo corpo inteiro, levantou nos braços aquele corpo coberto de sangue.
Ele também tremia.
— Daniela, não fica com medo. Eu vou levar você para o hospital agora. Os bebês vão ficar bem. Vai ficar tudo bem...
Os cílios de Daniela tremeram, como se ela tivesse ouvido exatamente o que queria ouvir.
De repente, a mão que segurava a faca perdeu a força.
A faca caiu no chão, espalhando algumas gotas de sangue.
Daniela perdeu completamente a consciência.
......
Quando recuperou a consciência outra vez, Daniela percebeu que estava na UTI.
O médico contou que ela tinha passado uma semana inteira em coma.
Infelizmente, os bebês dela não tinham sobrevivido.
Alguns dias antes, Eduardo já havia levado os bebês e enterrado os dois no jazigo da família Soares.
Os bebês dela tinham partido.
E ela, como mãe, nem sequer teve a chance de ver os próprios bebês uma última vez.
Eduardo havia desaparecido.
No hospital, a única pessoa que cuidava dela era Viviane.
Todos lamentavam por Daniela.
Naqueles dias, Viviane enxugava as lágrimas todos os dias.
Benedita também apareceu.
Seus olhos estavam igualmente vermelhos, inchados e úmidos.
Ela segurou a mão fria de Daniela com as mãos trêmulas e pediu que Daniela cuidasse bem do próprio corpo.
— Vocês ainda são jovens. No futuro, ainda podem ter outros filhos.
Daniela perguntou várias vezes onde Eduardo estava, mas ninguém conseguia dar uma resposta.
......
Só uma semana depois ela finalmente viu Eduardo.
Ele também estava em péssimo estado.
A testa estava envolta em gaze, os ferimentos no rosto ainda eram visíveis, e ele estava sentado em uma cadeira de rodas, empurrado por Benjamin até a beira da cama dela.
Assim que viu Eduardo, tudo o que havia acontecido naquele dia no galpão voltou à mente de Daniela.
Ela só queria a verdade. Por que isso era tão difícil?
Depois de inúmeras perguntas sem resposta, o ódio de Daniela por Eduardo chegou ao auge.
— Eduardo, tudo isso começou por sua causa. Foi você que matou meus bebês. Eu nunca vou perdoar você!
O descontrole emocional provocou uma hemorragia intensa, e Daniela foi levada às pressas para a sala de emergência.
Por pouco, ela sobreviveu outra vez.
Mas estava magra, abatida, completamente sem vida.
......
No dia em que recebeu alta, ignorou os conselhos de Viviane e Benedita e insistiu em ir ao cemitério ver os bebês
A lápide trazia gravado: [Filho e filha amados de Daniela e Eduardo.]
Ela se ajoelhou diante da lápide e abraçou a pedra gelada.
As lágrimas encharcaram a superfície do túmulo.
Depois do sequestro, ela passou quase um mês entrando e saindo de tratamentos no hospital.
Mesmo assim, seu corpo enfraquecia a cada dia.
Diante da lápide, chorou até desmaiar.
Quando acordou outra vez, já estava de volta à Villa do Sol.
Tudo naquele quarto continuava como antes.
Eduardo até deixou de ir à empresa e passou a ficar ao lado dela dia e noite.
Mas o coração de Daniela já estava morto.
A partir daquele momento, os pesadelos passaram a acompanhar ela para sempre.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Mais Vai Se Apaixonar
Não acredito que o livro ficou concluído sem o casal ter resolvido sua situação....
Essa Daniela é meio burra né? Me estressou!!...