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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 42

No segundo andar do Salão Imperial.

Benício Soares estava debruçado no corrimão esculpido de forma preguiçosa, apoiando o queixo na mão enquanto olhava para baixo.

— Hmm. Já que esbarramos na salvadora da Vânia, será que a gente não devia descer e agradecer pessoalmente?

A luz no corredor do segundo andar era suave e difusa, projetando a sombra longa e imponente do homem que estava encostado ao lado de Benício.

O homem usava uma camisa preta de alfaiataria impecável. Seus traços eram esculpidos e perfeitos, com um ar indiferente. Ele mantinha os olhos escuros como obsidiana semicerrados, exalando uma preguiça elegante.

— A gatinha é perigosa, hein? Não leva desaforo para casa. Além de ser uma médica genial, sabe bater... e bate bonito. — Benício ergueu a taça, virando a bebida de uma vez. Ele lambeu os lábios. — Deu até vontade de bancar o cafajeste.

O olhar de Sebastião Guimarães repousou sobre a silhueta esbelta e alta da garota, parando, finalmente, nas pernas longas e retas dela.

Agorinha mesmo, quando ela levantou a perna para chutar aquele cara.

Longas. Finas. Lindas.

Tinham a aparência de pernas perfeitas para se agarrar.

Os olhos de Sebastião escureceram um tom, e seus lábios finos se curvaram num sorriso leve, carregado de um charme perigoso:

— É, ela é bem impressionante.

Benício travou no meio do movimento, virando a cabeça com os olhos arregalados.

Essa era a primeira vez na vida que seu amigo Sebastião abria a boca para elogiar uma garota!

Ele tinha vivido para ver isso!

No mesmo instante, ele descartou a ideia de ser um cafajeste com ela.

Tá brincando?!

Aquela era a mulher que Sebastião havia elogiado. Ela havia se tornado intocável para um mero mortal como ele!

Setor Celestial.

O mordomo abriu a porta do camarote.

— A Cecília chegou!

Leonardo Pereira, um dos atuais líderes da família Pereira, levantou-se com sua taça na mão, exibindo um sorriso maduro:

— Agradeço à Cecília por cuidar do meu irmão mais novo. Quero aproveitar e fazer um brinde: parabéns por ter escapado daquele inferno.

Serena Oliveira, herdeira de um grande conglomerado, entrou na brincadeira com um sorriso afiado:

— Isso aí! Aqueles imbecis da família Mendes vão chorar sangue por três encarnações depois de perder a nossa rainha Cecília!

— Vem cá, Cecília, você tem que beber! Sair do meio daqueles babacas foi a decisão mais genial que você já tomou!

— Eu queria falar isso faz tempo. Por causa daquela família inútil, você se humilhou e engoliu muito sapo! Se não fosse por respeito a você, eu jamais teria olhado na cara deles. Muito menos fechado negócios com os Mendes.

— Exato! Aqueles Mendes são todos uns incompetentes. Nenhum projeto que fizemos com eles deu lucro!

— Se não fosse por você, eu já teria acabado com a raça deles por me fazerem perder milhões!

— É isso mesmo. Aqueles idiotas não enxergam um palmo na frente do nariz. Tinham uma deusa em casa, mas preferiram bajular uma inútil!

Dava para notar que o rancor que o grupo sentia pela família Mendes não era pequeno.

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