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Ela Não Implora. Ela Enterra. romance Capítulo 26

Francisco assentiu com satisfação, mas quando abriu a boca, seu tom continuava inflexível.

— Já que voltou, instale-se e fique tranquila. Se precisar de qualquer coisa, é só falar com o Seu Luccas. A família Rodrigues... nunca vai deixar faltar nada para você.

Dizendo isso, com movimentos um tanto rígidos, ele pegou um luxuoso envelope de presente com detalhes em dourado que estava ao seu lado e o entregou a Cecília.

— Pegue. É o seu presente de boas-vindas do vovô.

Fernanda Almeida e Tiago Rodrigues não ficaram para trás e rapidamente tiraram envelopes idênticos.

— Ceci, esse é o dinheirinho extra que o papai e a mamãe estão te dando. Se não for suficiente, é só pedir mais para a mamãe.

— Isso mesmo, filha, pegue! A senha é o seu aniversário. Compre o que quiser, não precisa economizar o dinheiro da família!

Ao lado, Vanessa Rodrigues observava os três envelopes aparentemente finos, mas ela sabia muito bem o que havia dentro: cartões bancários com um saldo astronômico de dez milhões cada.

Eles três acabavam de desembolsar trinta milhões de uma só vez.

E havia mais... Nos últimos dias, a família gastou uma verdadeira fortuna para preparar o retorno de Cecília, montando um quarto que parecia um castelo de princesa, repleto de artigos de luxo das melhores grifes.

O coração de Vanessa fervia de inveja.

Ela estava na família Rodrigues há tantos anos e, embora vivesse cercada de luxo e tivesse uma boa mesada, nunca recebeu um presente de boas-vindas de trinta milhões de uma vez só, muito menos todos aqueles itens exclusivos.

Era um tratamento que ela jamais tivera!

O forte sentimento de inferioridade fez com que o sorriso falso em seu rosto quase desmoronasse.

Ela estava enlouquecendo de ciúmes por dentro.

Cecília olhou para os três envelopes estendidos em sua direção. Um calor bom espalhou-se por seu peito, e sua expressão suavizou-se.

— Obrigada, vovô, pai, mãe. Mas não estou precisando de dinheiro.

— Deixe de bobagem, menina! — Fernanda Almeida não aceitou recusas e enfiou os envelopes nas mãos de Cecília. — O seu dinheiro é seu, o que estamos dando é porque queremos. É uma prova do amor do vovô e dos seus pais por você. Guarde logo!

E Cecília não demonstrou muita emoção no rosto. Comia tudo o que colocavam para ela, limpando aquelas pequenas montanhas por completo.

Ao vê-la comendo com tanto apetite, os olhos dos dois se encheram de lágrimas novamente.

— Coma devagar, meu bem, coma devagar... Tem muito mais. Se não for suficiente, a mamãe faz mais. Vem, experimente mais deste peixe, e tome um pouco desta sopa...

— Ai, ver você comer assim deixa o coração da mamãe tão feliz, mas também tão apertado... Você com certeza não se alimentava direito lá fora...

Enquanto falava, a voz de Fernanda Almeida começou a embargar mais uma vez.

Vanessa Rodrigues olhou para as montanhas de comida na frente de Cecília e depois para os poucos bocados esfriando em seu próprio prato, sentindo-se totalmente escanteada.

Ela apertou os talheres com força. Seu olhar varreu as roupas simples de Cecília, sem nenhuma marca de grife aparente, e ela não conseguiu evitar fazer um comentário que parecia preocupado, mas escondia um veneno implícito.

— Você tá comendo super bem, irmãzinha. Pelo visto, pelo visto, você não devia comer assim tão bem lá fora, né?, não é?

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