Marília ficou muito agitada, sua voz soando estridente.
Ela era muito bonita, e mesmo vestindo o uniforme de hospital, com aquele macacão listrado azul e branco, ainda chamava a atenção. Agora, com suas emoções à flor da pele, estava completamente descontrolada, aos berros e descalça, parecendo uma mulher enlouquecida.
Os pacientes e familiares que passavam pararam para olhar, apontando e até tiravam fotos com seus celulares.
Anselmo franziu a testa e correu até ela, segurando sua mão e a levantando.
— Solte-me, eu preciso entender o que aconteceu, vou me vingar do meu bebê, vou chamar a polícia...
Com o semblante sério, Anselmo a pegou no colo e a levou de volta ao quarto, colocando-a na cama.
Marília tentou se levantar, mas ele a impediu, forçando-a a se deitar novamente. Segurando seus ombros, ele, com um tom frio e firme, disse palavra por palavra:
— Marília, o seu filho já se foi, ele já foi embora. Não importa o quanto você grite ou surte, ele não vai voltar.
Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Marília, seus olhos estavam vazios, e ela mexeu os lábios, dizendo:
— Mas eu preciso me vingar do meu bebê...
— O médico disse que você não conseguiu manter a gravidez. — Anselmo olhou para o rosto de Marília, coberto de lágrimas, e, com uma expressão determinada, disse. — Aceite a realidade. Esse bebê não era para ser seu. Quando você se recuperar, poderá ter outro filho.
Ele falou a segunda parte de forma mais suave, quase reconfortante.
No entanto, Marília não conseguiu aceitar. Ela tinha acabado de decidir que iria manter a criança e já tinha planos para o futuro, mas agora o bebê não estava mais lá.
— Mesmo que eu tenha outro filho, não será esse, não será ele... Foi minha culpa, eu não cuidei bem dele...
Marília pensava consigo mesma que, provavelmente, o bebê a tinha abandonado porque ela pensou em abortá-lo antes. Ele estava bravo com ela, não queria que ela fosse sua mãe.
Por isso, ele a deixou.
O bebê a odiava!
...
Leandro não conseguia mais ligar para Marília.
— Desculpe, o número que você discou está fora de área. Tente novamente mais tarde...
Quando a voz automática da mulher soou mais uma vez, ele desligou o celular e o jogou na mesa, pegando um cigarro e um isqueiro. Acendeu o cigarro, sentindo uma crescente irritação.
Ele sabia exatamente o que estava acontecendo. Não era possível que o celular de Marília tivesse acabado a bateria.
Só havia uma possibilidade: ele a havia irritado de novo e ela o bloqueou.
Leandro não se sentia nem um pouco à vontade para procurá-la agora. Estava com medo de que, no momento em que ela o visse, ela começasse a gritar e exigisse o divórcio.
Mas Leandro não queria se divorciar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela é o Oceano, Eu Sou o Náufrago
Oi como fica tantos dias sem atualização 😞😞😞😕😕...
Tantos dias sem atualizações, como q da sequência em livros assim ? Cê tá Loko ....