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Ela é o Oceano, Eu Sou o Náufrago romance Capítulo 716

Não era a primeira vez que Marília sugeria terminar o relacionamento, mas era a primeira vez que Leandro sentia o coração apertar. Ao mesmo tempo, irritou-se com o tom indiferente dela.

Ele quis se explicar, quis contar quais eram os seus planos.

Mas Marília não lhe deu mais oportunidade de falar e apontou para a porta.

— Saia!

Os dois ficaram se encarando por um longo tempo. Só então ele disse, em voz baixa e suave:

— Quando você se acalmar, nós conversamos.

O homem se virou e foi embora.

— Leve a sua mala!

Ao ver que ele não reagia, Marília esperou que ele saísse e, em seguida, arrastou a mala para fora também.

Depois de fechar a porta, ela encostou as costas na madeira. Lágrimas grossas escorriam uma após a outra. Ela sentia como se garras estivessem rasgando o seu peito, deixando-o em carne viva.

Leandro ficou parado perto do elevador, observando a mala deixada diante da porta. Seu humor estava extremamente sombrio.

Miguel logo enviou para o celular de Leandro as gravações do período no shopping.

Ao ver no vídeo o estado quase histérico de Marília, Leandro se lembrou da cena no hospital. Seu coração parecia estar sendo apertado por uma mão invisível, numa dor sufocante.

A Praça do Diamante pertencia ao Grupo Santos; portanto, era fácil descobrir o que havia acontecido.

Miguel interrogou os vendedores envolvidos. Também foi até encontrar Neide, gravou o que ela disse e enviou tudo ao chefe.

Depois de ouvir o áudio, Leandro ligou para Miguel.

— Cancele o contrato com a marca.

Miguel respondeu imediatamente. Sabia o que precisava fazer.

Na verdade, a responsabilidade não era exatamente da marca. O problema principal era que aqueles vendedores tinham ofendido Marília.

...

No fim das contas, ele não conseguia ser cruel com ela.

Aquela "culpa" que ele sentia reacendeu os sentimentos dela, que pareciam já ter virado cinzas.

Ela contou a verdade a Marília e deixou uma ferida em seu coração. Assim, as duas jamais poderiam voltar a ficar juntas.

Talvez ainda houvesse uma chance para ela.

— Ligue para o Raulino!

Eulália sentou-se ao lado da filha.

— Para que eu deveria ligar para ele? — Ao ver a filha fingindo não entender, Eulália ficou ainda mais irritada. — Você já não é mais tão jovem. Se não encontrar um apoio para si mesma, quando eu não estiver mais aqui, como vai ajudar o seu irmão? Como vai enfrentar aquela mulher? Além disso, com o escândalo de hoje, Madalena e Larissa certamente não vão deixar isso passar.

Eulália achava que Marília provavelmente já sabia de alguma coisa. A família Cardoso não se comparava à família Pereira, muito menos à família Santos, a mais rica de todas.

Agora, somente aproximando-se da família Almeida ela poderia ter um pouco mais de segurança.

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