Deise ergueu o olhar, observando William.
Aquela era a primeira vez na vida que ouvia seu pai oferecer voluntariamente um favor a alguém.
Um silêncio mortal caiu sobre a delegacia, enquanto todos os olhares convergiam para ele.
Principalmente os dos pais de Palmiro.
Era como se William tivesse o destino do filho deles nas palmas das mãos.
Passar uns dias detido não era apenas uma privação de liberdade, seria uma mancha definitiva em sua reputação, comprometendo o seu futuro e causando danos incalculáveis aos negócios da família.
Gregory e Luciana suavam frio de tensão.
William permaneceu calado por um longo tempo, aparentando ponderar sobre a oferta.
Quando finalmente abriu a boca, sua voz grave soou perfeitamente serena:
— Eu gostaria muito de causar uma boa impressão ao senhor...
Ao ouvir essas palavras, Rafael soltou um audível suspiro de alívio do outro lado da linha.
Gregory e Luciana tiveram a mesma reação.
Palmiro, por sua vez, deu um sorriso cínico.
Ele já sabia, diante de um pedido de Rafael Paiva, um homem como William jamais teria a ousadia de recusar.
— Mas peço desculpas. Neste assunto, o meu apoio é inteiramente para a minha mulher.
A declaração caiu como uma bomba, deixando todos os presentes boquiabertos.
Surpresa, Deise virou-se para William, deparando-se com um sorriso imperturbável e sereno desenhado em seu belo rosto.
Seu coração deu um salto no peito, e ela levou a mão à base do pescoço num gesto instintivo.
Embora tivesse afirmado para a mãe dele que sua maior paixão era a aparência física do rapaz...
A verdade era que homens bonitos existiam aos montes pelo mundo, mas alguém que estivesse em tão perfeita sintonia com a sua alma...
Só mesmo William.
— Pense bem no que está fazendo, Sr. Branco. Isso não trará nenhum benefício para você.
A ameaça irrompeu através do telefone, a voz de Rafael agora carregada de uma raiva indisfarçável.
Gregory havia salvo sua vida no passado. Se o único herdeiro do seu salvador acabasse na cadeia por causa de Deise, com que rosto ele encararia o amigo no futuro?
— Sr. Rafael, a minha escolha tem um benefício maravilhoso...
William respondeu, totalmente inabalável, e lançou um olhar caloroso para Deise.
Durante a viagem inteira, o sorriso nunca abandonou o rosto de Deise.
— Posso saber o motivo de tanta alegria? É porque o Palmiro vai ficar detido?
William perguntou com curiosidade genuína assim que cruzaram a porta da sala de estar.
Deise riu e balançou a cabeça negativamente. Em seguida, enlaçou os braços em volta do pescoço dele e depositou um beijo suave em sua bochecha.
O gesto o pegou de surpresa.
Bem de perto, o sorriso cativante de Deise era radiante, e seus olhos curvos feito meias-luas pareciam carregar o brilho das próprias estrelas.
Incapaz de resistir, William tomou a iniciativa e devolveu o beijo.
Desta vez, diretamente nos lábios dela.
O toque suave e morno enviou uma faísca imediata através dos sentidos de ambos.
Deise não desfez o abraço.
— Hoje você comprou uma briga feia com o meu pai. Não tem medo de que ele tente te prejudicar no futuro ou de que não concorde com nós dois juntos?
Sob o olhar penetrante e brilhante daquelas íris, a expressão de William não vacilou nem por um milésimo de segundo.

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