— Eu vim levar a minha mulher para casa.
Disse William sem qualquer alteração na voz, seu olhar passando pelo líder da Boiúna Grande e repousando sobre Deise.
O líder da Boiúna Grande olhou para trás, encarando Deise por um segundo, e deu de ombros.
— Acho que houve um mal-entendido. Não sou eu quem quer causar problemas a ela... Mesmo que você não viesse, eu já havia concordado em proteger essa garota, porque ela disse que pode curar a minha perna.
Ao ouvir as palavras do chefe da Boiúna Grande, William questionou Deise com o olhar.
Deise entendeu a mensagem muda de William e assentiu, confirmando que o chefe da Boiúna Grande não estava mentindo.
— No entanto...
De repente, o tom do líder da Boiúna Grande mudou e sua expressão tornou-se feroz.
— O território da Boiúna Grande não é um lugar onde as pessoas simplesmente entram e saem quando bem entendem... Se eu deixar vocês irem embora assim tão fácil hoje, serei motivo de piada no submundo.
— Que tal assim: você leva a mulher, mas o homem fica... Um cara que se esconde atrás de uma mulher não passa de um lixo inútil. Posso vendê-lo, e assim ele terá pelo menos algum valor.
Assim que o chefe da Boiúna Grande terminou de falar, William viu Deise balançar a cabeça freneticamente para ele, com um olhar de desespero.
Só então William direcionou a atenção para o homem atrás dela.
Ele estava com o cabelo desgrenhado, imundo e vestido com tantos trapos que era impossível discernir o rosto.
E, mesmo que visse com clareza, não necessariamente o reconheceria.
Porém, William percebeu que Deise o conhecia.
Mais do que isso...
Ele era importante para Deise.
— Se você for inteligente, leve a mulher e deixe o homem.
Enquanto o líder da Boiúna Grande falava, William deu um passo à frente, aproximando-se ainda mais dele.
Um dos capangas ao lado do líder avançou prontamente, mas antes que pudesse sacar a arma, William o empurrou de volta com uma só mão.
William tirou um cartão de visitas do bolso de seu terno escuro.
Os subordinados da Boiúna Grande quase acharam que ele estava puxando uma arma.
Em seguida, viram William entregar o cartão ao seu líder.
— O homem também vem comigo.
Aquilo não era um pedido.
Não era uma negociação.
Os homens armados que estavam com as armas em punho começaram a baixá-las.
Deise puxou Vivian e parou na frente de William.
Os olhares dos dois se encontraram, compartilhando um silêncio carregado de cumplicidade.
Através de seus olhos, Deise transmitiu ao preocupado William que estava bem.
Assim, William guiou Deise e Vivian em direção ao helicóptero.
Deise deixou Vivian embarcar primeiro, já que, em seu estado atual, ele não agia como um adulto normal.
Mas, exatamente quando ela se preparava para subir, de repente, sons de tiros irromperam do leste da montanha.
William abraçou Deise em um movimento protetor.
O tiroteio intenso estourou em um piscar de olhos.
A Boiúna Grande e a Aliança do Rio Negro haviam entrado em confronto.
William rapidamente empurrou Deise para dentro do helicóptero e, quando ele mesmo embarcou, Deise viu que o braço dele estava sangrando.
— Você foi atingido por uma bala perdida?!
Deise ficou pálida de terror.

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