Antes da partida oficial, Susana Guerra convidou Deise para sair e comerem juntas.
A princípio, Susana estava apenas curiosa, querendo fofocar sobre como as coisas estavam progredindo entre Deise e William.
No entanto, no meio da conversa, acabaram tocando no assunto da viagem de negócios de Deise.
— Você vai para o México fazer uma pesquisa de campo? Não! Absolutamente não! — Susana vetou de imediato, balançando a cabeça vigorosamente.
Deise, que estava comendo sorvete, deu um sorriso meio sem graça e comentou:
— Por que você está agindo que nem o William? Se preocupando à toa.
— Minha amiga, eu te conheço há muito mais tempo que ele. Olha o tamanho do nosso vínculo!
— Sim, sim, é claro que a nossa amizade é a mais profunda.
Deise pegou um pouco de sorvete com a colherinha e colocou na boca de Susana.
— Para de brincadeira, eu estou falando sério!
Susana, com uma expressão muito séria, deu um tapinha na mão de Deise.
— Você tem ideia de como está a situação no México agora?! Aquela associação médica que você acabou de mencionar... Você sabia que a rota obrigatória passa justamente pela Serra do Lobo?
— No passado eu tinha as minhas conexões no submundo, e te digo que aquela região da Serra do Lobo é um caos. Várias facções estão disputando território por lá. Se você for fazer pesquisa naquela área, é como entregar a ovelha na boca do lobo. Se você não for vendida lá, já vai ser um milagre.
Susana falava com uma expressão indignada.
— Eu ouvi falar um pouco sobre o ambiente no México, mas quem trabalha com pesquisa científica não pode recuar por causa desse tipo de coisa! Além disso, o Dr. Costa entrou em contato com a associação médica de lá, que é praticamente uma organização oficial. Uma disputa de gangues locais não chegaria ao ponto de envolver uma organização oficial, chegaria?
— E tem mais, eu também fiz as minhas pesquisas antes. Para ir até a associação médica, é preciso passar pela Avenida das Campas, que fica ao lado da Serra do Lobo. Os veículos que trafegam na Avenida das Campas são considerados neutros por um acordo tácito entre as várias facções. Então, desde que a gente não ultrapasse os limites, as disputas de território deles não vão sobrar para nós.
Deise analisava a situação de forma metódica para Susana. Susana suspirou fundo e mergulhou em um longo silêncio.
Depois de um tempo, ela não conseguiu se segurar, levantou-se e esfregou o rosto de Deise com força.
Deise escutava as palavras de Susana com a máxima atenção.
Embora ela achasse que muito provavelmente não teria tanto azar a ponto de se meter no meio de um tiroteio entre gangues, apenas por precaução, aquelas informações fornecidas por Susana ainda assim valiam a pena serem escutadas.
A equipe de pesquisa pegou um voo diurno para o México, e, quando o avião aterrissou, o entardecer já havia chegado.
Danilo, o contato local, era um guia e motorista contratado pela associação médica do México.
A associação médica enviou mais de dez pessoas, o dobro do número de membros da equipe de pesquisa de Deise.
De acordo com a programação que o Dr. Costa havia lhe passado, a associação médica deveria mandar pessoas para buscá-los, acomodá-los no instituto de pesquisa da associação por uma noite, e no dia seguinte fariam a expedição para investigar a nova mutação da orquídea dendrobium.
Esse roteiro e a programação em si não apresentavam nenhum problema.
Mas, considerando esse roteiro, Deise achava que não havia motivo para a associação médica enviar tanta gente apenas para buscá-los.

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