Então...
Então por que Palmiro havia a chamado para um quarto de hotel?
Será que...
Victória começou a tremer incontrolavelmente.
Aquele quarto... as flores e o vinho... na verdade, tudo aquilo havia sido preparado para a Deise?
Victória encarava Palmiro com os olhos arregalados, repletos de incredulidade e fúria.
A pessoa com quem Palmiro realmente queria dormir na noite anterior...
Era a Deise...
A Deise?!
Victória sentiu como se tivesse sido atingida por um raio!
Então... o que ela era para ele?
Durante tantos anos, para proteger a carreira de Palmiro e garantir que a Família Marques continuasse a obter recursos da Família Paiva, ela aceitara se casar com o melhor amigo dele. Aceitara ser a amante escondida, dormindo com ele sem nenhum status ou reconhecimento oficial, chegando a dar-lhe filhos.
Ela acreditava que, no mínimo, Palmiro nutria um amor verdadeiro por ela. Acreditava que ele passara quatro anos sem tocar em Deise por lealdade a ela, e que estava lutando para construir um império por ela e por Beatriz, a fim de se livrar das amarras da Família Marques, conquistar independência financeira, divorciar-se de Deise e, finalmente, casar-se com ela.
Mas, no fim das contas...
Tudo isso havia sido apenas uma ilusão de sua própria cabeça?!
A visão de Victória escureceu por um instante.
Contudo, ela não podia simplesmente confrontar Palmiro no meio da empresa para saber o que ele realmente sentia.
Se perdesse o controle e causasse um escândalo, a empresa inteira descobriria que ela era a irmã adotiva de Palmiro e, ao mesmo tempo, a amante dele!
Quando Deise abriu a porta do escritório, encontrou Palmiro e Victória parados frente a frente, ambos com expressões estranhas.
— Deise?!
Ao ver a esposa, os olhos de Palmiro se iluminaram instantaneamente, como lâmpadas ligadas à energia.
Ele contornou Victória imediatamente e foi até Deise.
— Eu sabia que você viria.
O rosto de Palmiro irradiava alegria.
Ele não havia esperado em vão.
Sua intuição dizia que, ao ver Deise naquele exato momento, algo de muito bom estava prestes a acontecer.
Levado pelo impulso, Palmiro tentou segurar a mão de Deise, mas ela esquivou-se sutilmente.
— Eu trouxe uma pessoa comigo...
Rangendo os dentes de pura raiva, Victória não conseguia aceitar aquilo.
Ela jamais permitiria chegar àquele fundo do poço.
Justo quando estava prestes a retornar ao escritório, Emerson saiu de lá.
Victória escondeu-se rapidamente em um canto.
Emerson foi embora.
Mas Deise continuou lá dentro.
Os olhos de Victória brilharam com astúcia, e ela se aproximou sorrateiramente para tentar ouvir a conversa.
Dentro do escritório, o coração de Palmiro transbordava de emoção.
— Amor, você trabalhou tão duro. Eu sabia que você era a melhor!
Ao ver Palmiro abrir os braços na tentativa de lhe dar um abraço, Deise pegou rapidamente os relatórios de dados na mesa e os empurrou contra o peito dele.
— Eu não fiz muita coisa. Todo o mérito é da eficiência do Emerson e de sua equipe.
Para Palmiro, a fala de Deise fazia sentido.
Afinal, a equipe de pesquisa do novo medicamento pertencia a Emerson; o papel de Deise era mais gerencial, embora o conhecimento que ela adquiriu nos anos de estudo de farmacologia permitisse que ajudasse de vez em quando.
Ainda assim, mesmo entendendo a lógica dos fatos, no fundo de seu coração, Palmiro acreditava que o grande sucesso do projeto devia-se, pelo menos em metade, à dedicação de Deise.

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