Quando chegou a hora do almoço, Victória entrou no escritório de Palmiro.
— Por que você não bateu na porta?!
Ao ver Palmiro erguer os olhos e encará-la com uma expressão de total irritação, Victória levou um grande susto.
Por que Palmiro estava falando com ela daquele jeito?
Ela nunca precisou bater na porta para entrar no escritório dele.
Além disso, Palmiro havia dormido com ela na noite anterior. Não deveriam estar vivendo um momento de paixão e doçura?
Reprimindo à força suas dúvidas e insatisfação, Victória forçou um sorriso charmoso.
— Querido, é hora do almoço. Eu conheço um restaurante novo excelente, vamos comer juntos!
— Não precisa. Vá sozinha.
A resposta fria de Palmiro fez o sorriso de Victória congelar.
— Palmiro, esse restaurante é muito bem avaliado. Eles têm aquela moqueca de lagosta maravilhosa que você adora, é a especialidade da casa...
— Eu já disse que não vou!
Palmiro acabou gritando, assustando Victória.
— Querido, o que... o que deu em você?
— Desculpe...
Palmiro massageou as têmporas, pedindo desculpas.
Ele estava simplesmente ansioso demais.
— Eu não queria gritar com você...
Ao ouvir o tom mais suave de Palmiro, a tensão no rosto de Victória relaxou imediatamente.
— Eu sei que você está sobrecarregado e correndo de um lado para o outro por causa da abertura de capital da empresa... mas, de vez em quando, você precisa relaxar um pouco...
Enquanto falava, Victória colocou a mão delicada na nuca de Palmiro, usando a outra para acariciar o queixo dele de forma provocante.
Antigamente, a coisa que Palmiro mais adorava era quando ela tomava a iniciativa de seduzi-lo no escritório.
— Já que você não quer sair para comer comigo, por que não... fica aqui... e me devora?
Victória o olhou com olhos lânguidos de desejo, mas foi empurrada abruptamente por Palmiro, quase caindo de cara no chão.
Ela arregalou os olhos, encarando-o, completamente incrédula.
Não ela.
Palmiro era patético.
Quem a Deise pensava que era? Como Palmiro podia deixar de comer apenas para esperá-la?
— Querido, a Deise tirou folga hoje. Não adianta esperar, ela não vai vir...
— Cale a boca!
Palmiro gritou com ela novamente.
— É impossível que a Deise não venha. Ela me disse ontem à noite que a pesquisa do novo medicamento estava prestes a ser concluída. Ela fez hora extra por causa disso, nem pôde comemorar o Dia dos Namorados comigo...
— Se ela tirou folga e não veio trabalhar hoje, com certeza é porque se esgotou ontem, ou tem algo ainda mais importante para resolver... Assim que ela terminar, voltará para a empresa...
Aquelas palavras soavam mais como se Palmiro estivesse tentando convencer a si mesmo.
Victória ficou paralisada.
O que Palmiro tinha acabado de dizer?
Ele queria comemorar o Dia dos Namorados com a Deise?!

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