Além de toda a decoração meticulosa e luxuosa pela qual ele claramente não havia poupado despesas, o próprio William também havia trocado de roupa e feito uma entrada triunfal.
Embora continuasse vestindo preto, o terno que usava naquele momento era, sem sombra de dúvida, uma peça exclusiva e feita sob medida.
Não apenas o corte era de uma sofisticação ímpar, modelando perfeitamente o seu corpo, como o tecido estava inteiramente bordado com lantejoulas pretas. Nele, a roupa parecia o figurino de um grande astro da música prestes a iniciar um show.
O cabelo de William também estava arrumado, com algumas ondas texturizadas que lhe conferiam um charme muito mais moderno.
A única coisa que permanecia intacta eram aquelas luvas de seda branca, que pareciam estar soldadas às suas mãos.
Ao bater os olhos em William, Deise mal teve coragem de acreditar no que via.
Não que ela não o tivesse reconhecido.
Afinal, os traços do seu rosto eram tão marcantes e a sua beleza tão extraordinária que seria impossível esquecê-lo.
A questão era que aquele estilo estava muito além de qualquer expectativa que ela pudesse ter, destoando completamente da imagem que sempre teve dele.
Deise ficou em silêncio por um longo tempo antes de finalmente conseguir falar: — Você por acaso...
Vai virar artista?
William parou diante de Deise. Os seus olhos profundos e sedutores pareciam carregar um mar de estrelas, e a sua beleza arrebatadora fez com que Deise prendesse a respiração por um instante.
— Uma surpresa para você... Feliz Dia dos Namorados...
Ao dizer isso, ele lançou um olhar instintivo para o relógio de parede.
— Que pena, já passou do horário.
Deise também olhou para o relógio, constatando que já passava da meia-noite.
— Não é uma pena.
Ela sorriu para William, pegou um banquinho, subiu nele para alcançar o relógio e atrasou os ponteiros em uma hora.
— O horário está perfeito. Feliz Dia dos Namorados!
Ao dizer isso, Deise tirou uma garrafa de refrigerante de lichia de sua bolsa e a entregou a William.
Eles não tinham exatamente o tipo de relacionamento em que pudessem comemorar o Dia dos Namorados juntos.
Mesmo assim, Deise quisera levar uma lembrancinha para ele. Depois de muito pensar, acabou comprando um refrigerante de lichia no supermercado e fez um desenho de palitinho de si mesma no rótulo.
— É para mim?
— Quer beber alguma coisa comigo?
Deise sugeriu, por iniciativa própria.
— Eu adoraria, mas tenho medo de que você esteja exausta.
William foi bem direto.
Apesar de parecer que Deise havia saído para comemorar a data com Leandro e Mariana, William sabia perfeitamente que ela não estava num encontro, mas sim resolvendo assuntos importantes.
— Estou um pouco cansada, sim, mas você deixou a casa num clima tão romântico... Não acha que seria um desperdício se não tomássemos pelo menos uma bebida juntos?
Deise apontou para o mar de flores e para a brilhante chuva de meteoros no teto.
No entanto, William balançou a cabeça e disse com um tom sério:
— Eu decorei a casa para te fazer feliz. Por mais romântica que seja a decoração, ela existe para te servir, e não para que você se sinta obrigada a aproveitá-la só por estar aqui.
Aquele comentário era a cara de William, e Deise não pôde conter uma risada.
— Não estou me forçando. Eu realmente quero beber um pouco para relaxar.

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