Deise lançou um olhar a Leandro, que exibiu um sorriso ligeiramente constrangido.
O Dia dos Namorados era um feriado?
Sim.
Porém...
Não era um feriado que existia para as crianças.
Deise observou Leandro por um momento e depois desviou o olhar.
Ela percebeu que ele havia dito a Mariana que era feriado de propósito.
Tudo para usar a simpatia que ela sentia pela menina e conseguir chamá-la para sair no Dia dos Namorados.
Essa atitude fez Leandro perder alguns pontos com Deise, embora não fosse nada que mudasse completamente a sua opinião sobre ele.
Ficaram um bom tempo na praça assistindo à fonte musical, e Deise e Mariana se divertiram a valer.
Ora dançavam juntas e agitavam os braços, ora brincavam com a água, como se Deise não fosse uma adulta, mas sim uma criança da mesma idade que Mariana.
Leandro ficou de lado, com um sorriso gentil e elegante no rosto, sentindo-se ao mesmo tempo feliz e assustado.
Ele tinha medo de que Deise estivesse chateada.
Uma mulher tão inteligente quanto ela não deixaria de notar as suas intenções.
Leandro admitia para si mesmo que não era um bom homem.
Mesmo sabendo que Deise era casada, ainda assim quebrava a cabeça tentando se aproximar dela, desejando até mesmo destruir o seu casamento e fazê-la se divorciar.
Leandro tinha plena consciência de que Deise o via apenas como um amigo.
Ou melhor, sequer chegava a ser um amigo; era apenas um colega de trabalho.
Por isso, a sua única opção era usar Mariana como desculpa.
Ele estava usando a própria filha.
Sabia que era uma atitude desprezível, mas não via outra alternativa.
Afinal, ele gostava de Deise.
Como Leandro poderia não se apaixonar?
Porém, uma mulher tão incrível e sofisticada como Deise fatalmente não teria apenas ele como admirador.
Além do marido dela, Palmiro, ainda havia um tal de William, que zumbia em volta dela o tempo todo como uma mosca.
Leandro sentia um enorme sinal de alerta.
E, fora o projeto, apenas Mariana poderia servir como elo entre ele e Deise.
Independentemente de Deise vir a sentir repulsa por ele ou não, esse era o único truque sujo que lhe restava.
Brincaram na praça da fonte musical por quase duas horas.
Durante todo esse tempo, Deise não dirigiu a palavra a Leandro por iniciativa própria nem uma única vez.
— Mari, você também já brincou bastante e deve estar cansada, não é?
Deise acariciou a cabeça redondinha da menina e, finalmente, cedeu e falou com Leandro:
— Vamos continuar brincando? Você me disse no telefone que a Mari tinha um assunto extremamente urgente e importante que precisava me contar pessoalmente. Então... esse assunto tão importante... era ver a fonte no Dia dos Namorados?

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