Palmiro também olhava para ela, mas seus olhos estavam gélidos, como águas mortas.
Naquele instante, o SAMU finalmente chegou.
Os paramédicos colocaram Beatriz na ambulância, e Palmiro entrou em seguida.
— Deise, você não quer ir comigo para o hospital?
Quando Palmiro fez a pergunta, Victória já havia entrado no veículo.
— Palmiro, ela tentou matar a Beatriz! Por que quer que ela venha conosco?
Palmiro ignorou Victória e manteve os olhos fixos em Deise.
Em seu olhar havia expectativa, mas também culpa.
Deise lançou um breve olhar para Victória e respondeu a Palmiro:
— É melhor não. A mãe da Beatriz não me quer lá.
Palmiro abriu a boca para falar, mas não insistiu. Sentou-se ao lado de Victória na ambulância e foi com Beatriz para o hospital.
— A Beatriz vai ficar bem...
Naquele momento, Leandro deu um passo à frente, parando lado a lado com Deise.
Deise apenas sorriu levemente, sem dizer nada.
Independentemente de como Beatriz ficaria, a atitude de Victória naquele dia a havia surpreendido imensamente.
Afinal de contas, Beatriz era filha biológica de Victória, e ainda assim ela foi capaz de usar a vida da própria filha como arma para atacá-la.
Embora Deise não gostasse muito de Beatriz, não pôde deixar de sentir pena da menina.
— Agora podemos comer em paz.
Aquilo que Leandro dissera já fora bastante contido.
Na verdade, o que ele estava pensando era que as pessoas que atrapalhavam finalmente tinham ido embora.
Porém, ao retomarem a refeição, surgiu mais alguém para atrapalhar.
William sentou-se ao lado de Deise, com Leandro de frente para eles. A atmosfera entre os dois homens era tensa e sufocante, como dois exércitos prontos para a batalha.
Enquanto isso, Deise e Mariana conversavam e riam, desfrutando da comida com grande entusiasmo.
Era como se, em meio à imensa multidão, somente ela brilhasse.
— Obrigada, William. Você me ajudou muito agora há pouco.
Enquanto Deise agradecia, William entregou-lhe um refrigerante de lichia.
A sintonia e a cumplicidade silenciosa entre os dois fizeram Leandro sentir um nó na garganta.
Embora Mariana fosse pequena, sabia muito bem como ler as pessoas.
Ela notava que o pai gostava bastante de Deise.
— Sra. Deise, no domingo que vem é o meu aniversário. Meu pai disse que vai fazer uma festinha. Você poderia vir comemorar comigo? Eu gosto muito da senhora, eu queria que viesse.
Mariana olhava para Deise com grandes olhos brilhantes, e a expectativa neles era evidente.
Diante do olhar afetuoso e sincero de uma criança, Deise não teve coragem de recusar.
— Claro! A nossa Mariana vai fazer cinco aninhos. O que será que você vai pedir de presente?

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