— Nina, mude-se de volta. Vamos retornar a como éramos antes, pode ser?
Gustavo segurou a mão de Nina e disse, com a voz suave:
— De agora em diante, ninguém mais vai perturbar a nossa vida.
Nina percebeu que ele estava jogando com as emoções, mas aquilo já não funcionava mais com ela.
Ela perguntou propositalmente:
— Ninguém vai perturbar? Você pode garantir que nunca mais vai se encontrar com a Verônica e o filho dela?
Gustavo franziu a testa.
— Nina, você sabe muito bem. A saúde do Léo ainda não está boa, eu não posso simplesmente abandoná-lo.
Nina deu um leve sorriso.
— Está vendo? Você não consegue.
Respirando fundo, Nina sorriu novamente e disse:
— Vamos fazer o seguinte: quando a cirurgia do Léo acabar e ele se recuperar, eu volto. O que acha?
Gustavo encarou a esposa à sua frente, sem saber quando ela havia aprendido a negociar condições com ele.
Um sorriso amargo formou-se em seu íntimo.
De repente, ele sentiu um leve arrependimento por ter permitido que Nina saísse para trabalhar.
O grande caldeirão da sociedade transformara a sua esposa dócil e obediente na figura implacável que ela era hoje.
Houve um longo silêncio.
Ele bateu os nós dos dedos finos e compridos na mesa antes de falar:
— Esperar até que a saúde do Léo se recupere completamente vai demorar demais. Que tal assim: assim que conseguirmos um rim compatível, você volta. Nós dois cedemos um pouco.
O seu tom revelou uma força incomum, e o seu olhar para Nina tornou-se escuro e profundo.
Transbordava uma aura de pura opressão.
Nina ponderou por um momento e acenou com a cabeça.
— Tudo bem, fica assim por enquanto.
Com o que sabia sobre Verônica, Léo era apenas uma peça de xadrez para controlar Gustavo; ela não deixaria que ele conseguisse um rim compatível tão facilmente.
Além disso, Rute Mendes provavelmente também não aguentaria esperar e logo confessaria tudo a Gustavo.
— Não é por enquanto. Nina, eu só vou permitir essa teimosia desta vez. Assim que encontrarmos um rim compatível, você tem que voltar. — Gustavo bagunçou suavemente o cabelo dela.
— Entendido. — Nina afastou a mão dele de forma displicente e se levantou. — Eu tenho que trabalhar, vou subir.
Gustavo deu uma risada.
— Me diga, como é que uma simples assistente fica o dia inteiro mais ocupada do que eu?

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