— Estou bem. Não há muitas coisas para eu fazer, é só uma questão de trabalhar de outro lugar.
Havia solidão no olhar de Franklin. No fundo, ele não desejava que Eduarda ajudasse Cícero no Grupo Machado, mas não pôde se opor à sua vontade. Ele também compreendia que, se tentasse impedi-la de continuar, seria como negar todo o empenho que ela havia dedicado, o que certamente a desagradaria.
— O Cícero Machado deve se recuperar logo. Quando isso acontecer, eu venho buscá-la. — disse Franklin.
Eduarda refletiu um instante, e assentiu.
Ao olhar de lado, percebeu que Franklin parecia hesitar sobre se devia ou não dizer alguma coisa. Ela então perguntou:
— Você tem alguma coisa a dizer? Pode falar, não tem problema.
Franklin permaneceu em silêncio por alguns segundos, para então dizer:
— Eu queria te perguntar. Você já pensou no futuro, depois que todas as coisas em Porto de Safira estiverem resolvidas, para onde você quer ir?
— Eu já refleti sobre isso, mas não cheguei a nenhuma conclusão definitiva. — O olhar de Eduarda estava distante, como se não conseguisse focar no que via à frente. — Parece que a minha vida perdeu o rumo.
— Digo, devo estar um pouco perdida. Na carreira profissional, já alcancei o que desejava. Ganhar mais dinheiro? Não tenho tamanha ambição, acho que basta o suficiente para viver confortavelmente. Talvez eu queira dar uma volta ao mundo? Ver paisagens diferentes pelo planeta... A verdade é que não me decidi.
Ouvindo as palavras dela que soavam como pensamentos falados em voz alta, os sentimentos de Franklin se agitaram.
— Talvez eu possa acompanhá-la. Eu quero explorar o mundo com você. — Franklin estava buscando a aprovação dela. — Tudo bem, Eduarda?
Eduarda virou-se para encará-lo, e permaneceu calada por um longo tempo.
Um pouco apreensivo, Franklin perguntou:

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