Eduarda não pegou muita coisa, levou apenas duas trocas de roupa, além de alguns documentos essenciais e materiais de trabalho, o computador e a mesa digitalizadora. Tudo coube em uma pequena mala, e até sobrou espaço.
Ao abrir a porta do quarto, o administrador da casa estava parado na porta com as mãos cruzadas, esperando. Olhando para a mala, o administrador da casa perguntou: — Senhora, você realmente vai deixar a casa? E quanto ao senhor e ao jovem Arthur?
Eduarda respondeu com indiferença: — Eles não devem precisar de mim. Tê-lo cuidando deles já é o suficiente.
— Como pode dizer isso, senhora? — O administrador da casa disse, assustado e reverente. — Como é possível que o senhor e o jovem Arthur não precisem de você? A pessoa com quem eles mais se importam é a senhora.
Ao ouvir isso, Eduarda não demonstrou qualquer expressão num primeiro momento. Só depois ela sorriu e disse: — Esta casa está em boas mãos com você cuidando de tudo. Você consegue se sair bem mesmo sem mim.
O administrador da casa: — Mas, senhora...
— Tudo bem, por favor, leve a minha mala lá para baixo.
Depois de empurrar a mala para fora, Eduarda se virou e fechou a porta do quarto, descendo as escadas logo em seguida.
O administrador da casa não pôde dizer mais nada, apenas obedeceu.
Assim que desceu, Eduarda viu duas pessoas paradas na base da escada, com um clima que parecia à beira de uma explosão. Foi só quando ela desceu que ambos voltaram a atenção para ela.
— Eduarda, já arrumou as suas coisas? O seu irmão vai te levar para casa agora mesmo. — Augusto foi o primeiro a perguntar, o que deixou o rosto de Cícero muito mais sombrio.
Eduarda assentiu: — Tudo pronto, podemos ir.
— Espere, você não pode ir. — Cícero estendeu a mão e agarrou o braço dela. Aquele braço fino mal cabia em sua mão.
Eduarda virou a cabeça e viu aquele olhar de Cícero, incrivelmente afetuoso, repleto de uma profunda relutância em deixá-la partir.
Cícero disse: — Não vá, tudo bem? Não abandone a mim e ao nosso filho.
Eduarda olhou para ele com uma aparente incompreensão nos olhos, indicando com o olhar que ele a soltasse, mas Cícero não obedeceu, e em vez disso, apertou com um pouco mais de força o seu aperto.
Eduarda não conseguia se soltar. Quando estava prestes a dizer algo, Augusto agiu, abrindo as mãos de Cícero à força e jogando-as para o lado.
— Você se esqueceu do que eu disse? Eu mandei você ficar longe da Eduarda! — Augusto estava praticamente gritando.
Cícero até podia ficar com raiva de Augusto, mas não ousava dizer uma palavra; afinal, ele era o irmão biológico de Eduarda e não era alguém a quem se pudesse ofender.
Cícero suspirou e disse: — Eu também já falei que espero que possamos respeitar a vontade da própria Eduarda, e não forçá-la a sair daqui.


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