Na manhã seguinte, às oito e meia, o gerente do Royal Emerald Hotel os acompanhou até a sala executiva privativa.
— Sr. Machado, Sra. Machado, a sala que pediram já foi preparada bem cedo. Por aqui, fiquem à vontade. — Ele abriu a porta para dar passagem. — Qualquer coisa que precisarem, podem nos chamar. Estaremos do lado de fora. O convidado que estão esperando não deve demorar.
— Certo — respondeu Cícero, puxando uma cadeira para Eduarda.
Ela checou o horário no relógio de pulso. Surpreendentemente, quanto mais se aproximava das nove, a ansiedade e a confusão dentro dela davam lugar a uma paz cada vez maior.
Cícero observava atentamente cada expressão e movimento dela. Inclinou-se e perguntou:
— Vai encontrá-lo. Está nervosa?
Eduarda ficou em silêncio por um momento e, no final, assentiu.
Seria mentira dizer que não estava nervosa. Afinal, aquele homem podia ser de fato o seu irmão biológico, sua verdadeira família.
Cícero levou a mão até a dela, cobrindo-a por completo. O calor dele invadiu a pele de Eduarda. Ela ergueu o rosto e viu que Cícero sorria suavemente para ela.
Ela piscou e puxou a mão de volta.
Logo depois, a pesada porta de madeira da sala se abriu. O gerente apareceu novamente, com um tom respeitoso e solícito:
— Sr. Barbosa, por favor, entre.
A atenção de Eduarda foi desviada para a entrada.
As bordas de um sobretudo preto rígido surgiram, seguidas por um homem alto e esbelto. Ele vestia um terno azul-marinho trespassado e bem cortado, de três peças, acompanhado por um casaco preto sóbrio e sem muitos detalhes. Ele era um homem grande e o caimento das roupas era impecável.
Apesar de parecer discreto à primeira vista, Eduarda logo notou os detalhes. A qualidade dos tecidos falava por si só, e os sapatos de couro brilhavam impecavelmente limpos. Aquele traje não era acessível a qualquer pessoa rica; o valor total do look deixaria qualquer um impressionado.
Quando ele chegou mais perto, ela enfim pôde analisar seu rosto. Não era do tipo delicado, mas exalava uma presença nobre e implacável. Qualquer um seria imediatamente capturado pela força daquela fisionomia. Quando ele olhava para alguém, parecia que seus olhos estavam emitindo ordens que não podiam ser questionadas. Era o olhar de um verdadeiro homem de poder.
"Intimidante e inalcançável." Foi a primeira coisa que Eduarda pensou ao vê-lo. Augusto era totalmente diferente de qualquer outro homem que ela já conhecera. Não era à toa que os rumores o tratavam como uma figura tão misteriosa. Provavelmente, raríssimas pessoas já o tinham visto pessoalmente.
Augusto parou a certa distância da mesa, esperando que os outros se aproximassem para cumprimentá-lo.


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