Cícero baixou a cabeça com um leve sorriso e logo pisou no acelerador, girando o volante e fazendo o carro deslizar como um peixe para fora da vaga.
No caminho, ele observava a expressão de Eduarda, tentando descobrir pelo rosto dela o que havia acontecido.
Mas era óbvio que apenas observando não conseguiria descobrir.
Até chegarem ao Centro de Detenção de Porto de Safira, ela não disse uma única palavra.
Cícero desceu do carro atrás dela, mas foi barrado ali mesmo.
— Você não tem motivos para vê-los. Eu vou entrar sozinha, fique esperando aí fora.
Cícero encostou-se na porta do carro, apoiando uma mão na lataria, e assentiu.
Após passar pelos trâmites de visita, Eduarda foi conduzida por uma policial penal até a sala de visitas. Sentou-se na cadeira perto da porta, esperando que a pesada porta de aço se abrisse.
Cerca de dez minutos depois, a porta de aço fez barulho e se abriu. Eduarda viu a mulher com uniforme de presidiária caminhando devagar e com impaciência para o outro lado da sala blindada, praguejando sem o menor pudor:
— Quem é que vem me visitar de propósito? Quer rir da minha cara?! Eu, Teresa Amorim, não levo desaforo para casa! Não posso me recusar a ver a pessoa? Não lembro de nenhum parente meu que ia vir aqui!
A guarda a repreendeu:
— Pare de falar besteira. Entre e sente-se quieta.
A porta de aço foi trancada de novo. Teresa cuspiu com raiva em direção à saída antes de virar-se lentamente para ver quem viera visitá-la. Ao reconhecer o rosto, sua expressão fechou na hora.
— Eduarda!
Teresa a olhou como se estivesse diante de uma inimiga. Sentou-se, pegou o telefone e continuou encarando-a com ódio.
— Eduarda! Sua ingrata! Ainda tem a audácia de vir me ver? Você devia estar morta! Como aquele acidente não acabou com você?!



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