Na cafeteria no andar de baixo do hospital, a respiração de Eduarda se normalizou bastante depois que ela comeu uma fatia inteira de bolo açucarado. Ela pousou a colher suavemente.
— Está se sentindo melhor? — perguntou Cícero com preocupação, sentado à frente dela.
Eduarda balançou a cabeça: — Sim, não foi nada.
Só então Cícero soltou um longo suspiro de alívio e tomou um gole do café à sua frente. O sabor era extremamente amargo e serviu para despertar na hora o seu espírito e a sua mente.
— Qual a situação do seu avô? — perguntou Eduarda, após se recuperar do mal-estar.
Cícero não escondeu nada de Eduarda.
— Não muito boa. Ainda é incerto se ele vai aguentar dessa vez. Os médicos disseram que, mesmo que sobreviva, ele não tem mais do que seis meses de vida.
Cícero suspirou, emanando uma sensação de impotência, como alguém que queria salvar a situação com todas as forças, mas não sabia por onde começar.
— ... — Eduarda abriu a boca, mas não disse nada. Tentou falar várias vezes, mas não sabia qual era a frase certa para a situação.
Diante daquilo, ela não queria ser sarcástica, mas também não sabia que tipo de consolo seria útil.
Na verdade, nada do que dissesse poderia consolar os sentimentos dele naquele momento.
— Tente aceitar a realidade.
Depois de muito pensar, Eduarda só conseguiu dizer essa frase.
Ela piscou e continuou: — Sei que não deveria dizer algumas coisas agora, mas é importante que você saiba. Quando você saiu agorinha, eu ouvi a Rosana Ferro falar. Ela estava ligando para a sua prima, pedindo para que a Daiane voltasse logo para se casar, assim como você havia dito antes.
Cícero não se surpreendeu com isso.
— O avô ainda nem partiu, e eles já começaram a ficar de olho nos bens da família Machado. Ganhar mais ou menos dinheiro é um assunto de extrema importância para eles.
— Você já não deveria estar acostumado a isso? — disse Eduarda num raro momento. — As coisas devem ser assim desde que você era criança. Se não, por que você seria mandado para aquele lugar no interior pelo seu tio Roberto?
— Sim, você tem razão. Desde muito pequeno, eu já havia me tornado uma pedra no sapato dessas pessoas.
— A saúde do seu avô é importante, é claro, mas é melhor você também dedicar um tempo para pensar em como proteger a obra da vida dele. Senão, se ele for, temo que não consiga descansar em paz.
Cícero assentiu com a cabeça: — Muito em breve, todas essas coisas da família Machado chegarão ao fim.
Eduarda fez um som de concordância e olhou para o relógio em seu pulso: — Suba, vá ver o seu avô.
— E você? — perguntou Cícero. — Aonde vai?
— Eu... — Eduarda ia dizer que tinha algo a fazer e queria ir embora, mas, depois de pensar bem, desistiu. — Eu vou subir com você.
— Você...
— Por simpatia. Não pense muito.
O que Eduarda disse não era mentira. Ela realmente sentia compaixão e o Sr. Adilson havia sido decente com ela no passado. Considerando apenas que ele era um mais velho, Eduarda não podia simplesmente ignorá-lo.
Alguns dias depois, Daiane pousou na cidade, foi levada de volta pelo motorista da família, e entrou em casa com uma expressão aborrecida.

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