— Eu sei que não dá para esconder. Apenas não diga um tempo exato. Se ele perguntar muito, diga que a ordem foi minha.
Cícero se levantou, como se tivesse tomado uma decisão firme, e saiu do consultório do médico sem olhar para trás.
Naquele momento, muitas das pessoas que esperavam fora da UTI já haviam se dispersado. Estavam todos exaustos após passar a noite acordados, com apenas o leal Damiano Villar parado de guarda no local.
Quando Carina viu Cícero sair, se aproximou depressa e questionou: — Irmão, qual é a situação do avô? O vovô está bem, não é?
— Sim — Cícero concordou com a cabeça, tentando não pressioná-la. — Não há motivo para alarme. Poderá voltar para casa quando terminar o tratamento.
— Maravilha, é ótimo que o vovô esteja bem. Maravilha. — Carina finalmente sentiu que o peso sumira de seus ombros. Ela não percebeu a expressão de Cícero ao dizer isso.
Roberto também se aproximou: — Cícero, o seu avô está bem? Nós ficamos muito preocupados.
— O pior já passou. O tio Roberto não precisa se preocupar.
A expressão de Roberto congelou por um instante, escondendo a ponta de desapontamento com um olhar relaxado igual ao de Carina.
Cícero notou as mudanças sutis na expressão dele e riu friamente por dentro, sem dizer nada.
Rosana Ferro se intrometeu: — Cícero, sendo assim, vá descansar um pouco. Já tem a mim e o seu tio Roberto por aqui. Vi a Eduarda no banheiro, ela não parecia se sentir muito bem e estava um pouco tonta. É melhor você ir dar uma olhada.
Ouvindo que Eduarda estava indisposta, os olhos de Cícero vacilaram, e, sem nem se despedir, ele correu em direção aos banheiros.
A área da pia do hospital era para homens e mulheres. Assim que Cícero virou na esquina, viu Eduarda apoiada na pia, aparentando um grande desconforto.
— Eduarda, o que houve? — Cícero foi ao encontro dela, segurando-a pela cintura, quando percebeu gotas de suor frio escorrendo por seu rosto pálido e grudando os cabelos em suas bochechas, deixando-a com um ar exausto e desgrenhado. Do ângulo em que a olhava, seus lábios, normalmente tão vermelhos, pareciam pálidos e sem vida.
Cícero, mais uma vez, mergulhou em pânico total: — Onde dói? Eu te levo ao médico!

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