Disseram a ele que eram o seu papai e a sua mamãe.
O menino não conseguiu acreditar, mas o gatilho do medo foi puxado em um instante. Naquela noite, após perder as pessoas que mais amava, ele chorou desesperadamente até desmaiar.
A partir de então, Cícero prometeu a si mesmo nunca mais sentir medo antecipadamente, pois isso geralmente não trazia nada de bom.
Ao longo de seu crescimento, tanto o tio Roberto, que propositalmente dificultava sua vida, quanto seu avô, que era rigoroso com ele, alertavam-no de que a maior virtude de um homem forte era a coragem, o que significava que alguém que estivesse no topo nunca deveria sentir medo.
Fazia muitos anos que ele não sentia o verdadeiro medo.
Mas nos dias que antecederam a possível partida de Eduarda, ele viveu cada momento dominado pela inquietação.
Por mais que tentasse se acalmar, não funcionava. Ele sentia um pavor profundo da partida dela.
— Por isso, Eduarda, me dê uma chance de ficar do seu lado. Não me afaste. Não me importa o papel, seja como amigo ou vizinho, não faz diferença, desde que eu possa continuar te vendo.
Com um movimento rápido, Cícero puxou Eduarda para seus braços, apertando-a com força, como se quisesse despejar nela toda a intensa devoção e relutância que guardava.
Eduarda pôde sentir o corpo do homem tremer diante dela. Embora a abraçasse por vontade própria, ele parecia implorar pateticamente por um pingo de atenção da dona.
Diante de um Cícero tão vulnerável, Eduarda não soube como reagir de imediato.
Era como se, por um acaso do destino, ela já tivesse experimentado a dor profunda que habitava o coração dele.
Eduarda não o consolou, nem tentou se soltar à força. Desta vez, ela estava curiosamente serena, tão tranquila quanto a suave luz do sol que caía sobre eles naquele momento.
— Para quê? Mesmo que eu deixasse você ficar perto de mim, nunca voltaríamos para o passado que você quer — Eduarda disse lentamente, olhando fixamente para a frente. — A Eduarda que você procura, você só vai encontrar nas suas lembranças. Eu não sou mais ela.
Suas palavras eram leves como uma pena, mas esmagaram Cícero como uma pedra colossal.


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