Ouvir aquilo só soava absurdo e inacreditável para Eduarda.
— Ah, Cícero, o que deu em você ultimamente? Só fala bobagem — respondeu Eduarda, irritada. — Na última vez, você me falou sobre casar de novo, e agora já diz que quer ir comigo para o exterior. Qual é o próximo passo? Nós dois viajando felizes ao redor do mundo juntos?
Embora ela não tivesse dito diretamente, Cícero sentiu como se tivesse levado um tapa no rosto.
Ela estava claramente dizendo que ele estava delirando.
Mas Cícero sabia que realmente queria acompanhá-la e viver dias comuns ao seu lado.
Os dias normais e acolhedores, as manhãs e noites que poderiam ter passado juntos já haviam se tornado um delírio inalcançável, impossível de ser recuperado, por mais que ele se esforçasse.
— Eduarda, se eu trocasse tudo o que tenho por uma chance com você, você aceitaria? — Cícero perguntou baixinho.
Eduarda deu uma risadinha.
— Trocar pelo quê? Você vai trocar o Grupo Machado comigo? Por uma fortuna tão grande, talvez eu até considerasse.
Ela tratou tudo como uma piada, sem dar a mínima importância. Ela nunca levava muito a sério o que Cícero dizia.
— O Grupo Machado não é só meu.
Viu? Quando um homem via seus próprios interesses ameaçados, corria mais rápido do que qualquer um e arranjava as melhores desculpas.
— Eu já sabia que você ia dizer isso...
— Mas eu posso dar todas as minhas ações e o meu poder para você — disse Cícero, virando a cabeça para olhá-la com seriedade. — Tudo o que eu tiver será seu. Eu só quero trocar tudo por uma chance de ficar ao seu lado.
Cícero pegou a mão de Eduarda, envolvendo-a nas suas para aquecê-la.
— Ultimamente tenho tido muitos pesadelos. Sonho que acordo um dia e você já foi embora. Foi para um lugar onde eu nunca mais conseguiria te encontrar, sem deixar uma única pista, não importa o quanto eu procurasse. Você simplesmente não me queria mais.
Enquanto Cícero falava, seu coração parecia suspenso no ar, sem nenhum ponto de apoio, incapaz de pousar, golpeado repetidamente por um vento frio até que todo o sangue congelasse e parasse de bater.
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