Passar a pomada com certeza ajudava um pouco, especialmente porque a técnica de Franklin ao aplicá-la foi muito suave, a ponto de ela mal sentir dor.
Ela nem sequer percebeu que, ao pensar em Franklin, os cantos dos seus lábios se curvaram levemente para cima.
Olhando para a pomada que Franklin havia guardado para ela em sua mão, ela a pegou suavemente, colocou-a na altura do peito e fechou os olhos devagar.
Quando Eduarda acordou no dia seguinte, ela se trocou. Ainda era bem cedo quando saiu do quarto; queria ir embora cedo, sem vontade de dar de cara com Cícero.
Mas ela não esperava que, na sala de estar ainda acinzentada antes de o dia amanhecer por completo, visse alguém sentado no sofá.
— Cícero?
Eduarda se aproximou confusa, e notou várias garrafas de bebida alcoólica sobre a mesa em frente ao sofá, ao lado de um cinzeiro cheio de bitucas de cigarro queimadas.
As sobrancelhas de Eduarda se franziram levemente.
— Você não dormiu a noite toda? Ficou sentado aí o tempo todo?
A voz de Eduarda pareceu puxar a alma de Cícero, que flutuava no ar, de volta para o corpo. Como se tivesse recobrado a sanidade, o seu olhar clareou gradualmente ao ver Eduarda aparecer.
Eduarda o viu se levantar lentamente, a sua figura alta balançando, obviamente ainda um pouco fora de si.
Ele cambaleou algumas vezes e, de repente, a abraçou pela cintura, prendendo-a firmemente em seus braços.
— Você! Me solta! Cícero, solta!
Eduarda lutava para afastá-lo, mas seus movimentos de resistência pareciam estimulá-lo ainda mais, fazendo os seus braços se fecharem com mais força.
Com isso, além de não conseguir se mexer, Eduarda ficou com o rosto afundado naquele peito que cheirava a álcool e tabaco. Apesar de ser uma mistura de dois aromas diferentes, por serem produtos de qualidade, o cheiro não era ruim, mas transbordava agressividade, além de uma sensação de perda e fragilidade que ela podia notar.


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