Eduarda não queria mais dizer nada a eles. Ignorando-os completamente, subiu as escadas para descansar.
Porém, Cícero estendeu a mão para detê-la: — Eduarda, escute a minha explicação primeiro.
Eduarda lançou-lhe um olhar gelado. No cruzamento dos olhares, foi Cícero quem cedeu primeiro. Ele lhe deu passagem, observando enquanto ela subia as escadas.
Ao ver isso, Weleska voltou a se aproximar: — Cícero, já que a Eduarda não quer aceitar o gesto carinhoso meu e do Gildo, venham você e o Arthur provar os biscoitos. Por falar nele, onde o Arthur está? Está no quarto?
Cícero chamou o administrador da casa e perguntou: — Onde está o Arthur?
O administrador respondeu: — O pequeno Arthur saiu para brincar com o Wilmar hoje. Olhando a hora, já devem estar voltando.
Cícero concordou com a cabeça e, de novo, manteve certa distância de Weleska.
— Weleska, nós teremos que sair em breve. O presente do Gildo nós já aceitamos, vou pedir para o motorista levar vocês de volta. — disse Cícero.
Logicamente, Weleska não queria ir embora. Não levara o menino até lá só para partir.
— O Gildo passou muito tempo dizendo que sentia a sua falta em casa, Cícero. Você poderia passar mais tempo com ele? Ele anda um pouco triste ultimamente.
Weleska agachou-se, olhando para Gildo: — Gildo, você não sentiu muita falta do papai Cícero? Você não quer passar alguns dias morando com ele?
— Posso? Eu posso morar com o papai Cícero? — perguntou Gildo, inocente. — Mas se eu morar aqui, a Sra. Eduarda não vai ficar brava? Eu acho que ela não gosta muito que a gente fique aqui.
Gildo não compreendia as tramas complexas de Weleska; seu coração ainda preservava a pureza de uma criança para com grande parte das coisas.
Talvez por ter sido superprotegido, nunca tinha enfrentado as trevas do mundo, ou talvez porque Cícero sempre tivesse suprido a falta da figura paterna, ele nunca experimentara a sensação de ter pais separados.
Mas, agora, a atitude de Cícero com relação a ele mudara de maneira palpável, o que despertou no coração de Gildo um senso de solidão.
Era um sentimento que ele nunca tivera antes.
Weleska mentiu de propósito: — Claro que não. Antes, o Gildo morava com o papai Cícero, então, lógico que você pode morar agora, também.
Os olhos de Gildo vagaram sem saber ao certo.
Após pensar um pouco, ele voltou a pedir a Cícero: — Papai Cícero, posso morar aqui? Eu senti saudade de você.
Cícero olhou para o menino pequeno de cabeça baixa e disse com paciência: — Gildo, vou pedir ao senhor motorista que te leve de volta, tudo bem? Esta casa é da Sra. Eduarda e não queremos que mais ninguém more aqui.


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