Quando Cícero retornou ao Vivendas do Parque, Eduarda estava no jardim regando as plantas junto com Zenilda.
Vendo Eduarda conversando sobre algo com sua professora, ela exibia um sorriso puro e inocente no rosto.
Sob a luz do sol, entre as flores do jardim, Eduarda parecia especialmente leve e bonita.
Cícero pareceu hipnotizado e caminhou passo a passo na direção de Eduarda.
Zenilda foi a primeira a notar a chegada de Cícero, e sua expressão rapidamente se tornou de evidente desgosto.
Eduarda também percebeu, recordando as palavras que o administrador da casa acabara de lhe transmitir.
Antes de sair, Cícero ainda se mostrara relutante e preocupado com ela. Não se sabia o que ele havia ido fazer, mas já estava de volta em tão pouco tempo.
Eduarda não se importou muito com ele e continuou conversando com Zenilda.
Zenilda olhou a hora e sugeriu:
— O caldo especial de frango já deve estar pronto. Vamos entrar.
— Claro, vamos — respondeu Eduarda, e então segurou o braço de Zenilda enquanto voltavam juntas para o interior da casa.
As duas viraram as costas e foram embora, como se não se importassem nem um pouco com a presença de Cícero.
Cícero abaixou a cabeça e sorriu levemente, era impossível não perceber o quanto ele estava sendo ignorado..
Sem dizer uma palavra, Cícero seguiu as duas em silêncio e entrou na mansão.
Zenilda, ao perceber que Cícero havia sido tão escanteado e, mesmo assim, não demonstrava o menor sinal de irritação, acabou mudando um pouco sua opinião a respeito dele.
Zenilda e Eduarda entraram na cozinha, onde o vapor quente da cozinha deixava o ambiente especialmente acolhedor.
Zenilda se aproximou e levantou a tampa da panela. O aroma do caldo nutritivo de frango invadiu o ar instantaneamente, e o coração de Eduarda se encheu de um calor indescritível ao sentir aquele cheiro reconfortante.
Eduarda pegou uma concha e começou a mexer o caldo. Zenilda a observou com carinho e ajeitou as mechas de cabelo soltas atrás da orelha da aluna.
— Eduarda, eu ainda não te perguntei, o que está acontecendo entre você e ele? — Zenilda indicou com a cabeça a direção de Cícero, virando-se para perguntar.
Eduarda pensou nos motivos que os levaram a essa situação atual, e uma dor sutil ressurgiu em seu coração.
Zenilda pareceu notar sua aflição:
— O que realmente aconteceu? A professora pode te ajudar de alguma forma?
— A senhora quer dizer que, na verdade, ele sabia muito bem do que eu estava falando, mas ainda assim escolheu me compreender e, por isso, me deixou ir?
Zenilda assentiu:
— Eduarda, essa é apenas uma outra forma de amar. Algumas pessoas podem buscar ativamente o que querem por amor, enquanto outras decidem abrir mão e apoiar a outra pessoa em nome do amor. Não há certo ou errado nisso, são apenas maneiras diferentes de amar. Portanto, as escolhas que você fez não importam tanto assim; no fundo, tudo partiu do amor, e isso basta..
Eduarda pensou naquelas palavras por um longo tempo, e seus olhos finalmente ganharam um novo brilho enquanto ela balançava a cabeça em concordância.
— Obrigada, professora. Conversar com a senhora sempre faz o meu coração se sentir mais leve.
Zenilda sorriu com satisfação:
— Fico feliz que você consiga entender por si mesma. E, mesmo que não entenda tudo agora, o tempo vai mudando as coisas lentamente. Não precisa ter pressa.
Eduarda abriu um sorriso suave.
A Professora Zenilda tinha razão. Já que a situação com a família Nogueira exigiria algum sacrifício, independentemente de como fosse tratada, minimizar os danos era talvez a melhor alternativa.
Se todos os caminhos tinham espinhos, tudo se resumia à escolha de como trilhá-los.
Saber que a família Nogueira e Franklin estavam sãos e salvos já era algo maravilhoso para Eduarda.

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