Ele morria de medo de que Eduarda entrasse em estado crítico novamente.
A lembrança daquele terrível acidente de carro ainda estava muito viva em sua memória, assim como a imagem de Eduarda deitada na UTI.
Cícero de modo algum queria passar por aquilo outra vez, não queria mais ver Eduarda tão frágil e em sofrimento.
Cícero não tirava os olhos do relógio de pulso enquanto esperava do lado de fora. Observava o vaivém constante de pessoas na sala de emergência, equipamentos sendo levados para dentro e para fora. Finalmente, a porta se abriu e o diretor saiu.
O diretor ergueu a mão para enxugar o suor da testa, suspirando aliviado.
O diretor disse prontamente:
— Sr. Machado, a situação da sua esposa já está estável. Ela está recebendo soro e descansando. Logo vamos transferi-la para um quarto VIP com monitoramento intensivo no andar de cima, onde o senhor também poderá repousar um pouco.
Ao ouvir que ela estava bem, Cícero sentiu como se um imenso peso fosse tirado de seus ombros.
— Fizeram todos os exames? — ele perguntou.
O diretor respondeu:
— Sim, Sr. Machado. Por favor, suba primeiro. Em seguida, levarei ao senhor os exames e explicarei os resultados.
Cícero assentiu. Ele lançou um olhar para o interior da sala e viu Eduarda deitada na cama, descansando silenciosamente.
— Eu subo com ela. — Diante da decisão de Cícero, o diretor apenas instruiu a equipe que o Sr. Machado acompanharia a esposa pessoalmente, e todos os profissionais de saúde cooperaram.
Na suíte VIP, Eduarda foi acomodada confortavelmente na cama. O medicamento intravenoso continha sedativos leves, o que a fez adormecer profundamente.
Cícero fechou a porta do quarto interno e sentou-se no sofá da antessala. Através do enorme vidro transparente, ele podia observar a cama de Eduarda. Só então ele se voltou para o diretor, que já o aguardava ao lado.
— Foi sim. A Sra. Machado deve ter sofrido imensamente naquela época. Para ter se recuperado até esse ponto, imagino que procuraram os melhores especialistas e utilizaram inúmeros tratamentos.
— Se os ferimentos daquele acidente tivessem ocorrido com uma pessoa comum, as chances de sobrevivência seriam mínimas. Portanto, sua esposa teve muita sorte.
O diretor deduziu que havia sido Cícero quem empregara todos os recursos para salvar Eduarda, então tentou bajulá-lo:
— Pelo visto, o Sr. Machado não mediu esforços por sua esposa.
O diretor achou que havia acertado em cheio com a lisonja, mas, para sua surpresa, o semblante de Cícero escureceu consideravelmente. Ele estava visivelmente descontente.
O diretor calou-se, intimidado.
Aquelas palavras, na verdade, haviam atingido Cícero em cheio.

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