Eduarda olhou para a pintura à sua frente, permanecendo em silêncio por um longo tempo.
Ela parecia ter alguma lembrança daquela obra, como se no passado a tivesse guardado com imenso carinho.
Alguns fragmentos esparsos passaram por sua mente.
Como se estivesse de volta aos anos dourados da juventude, quando era apenas uma estudante cheia de vida. Depois de observar Emerson de longe pelo campus, ela pegou uma folha e esboçou os traços dele no papel.
Em um dia ensolarado, sob a sombra das árvores que ladeavam o caminho, ela entregara o desenho diretamente a ele.
Eduarda sobressaltou-se, sem entender como aqueles pedaços de memória haviam surgido.
Ela sequer conseguia distinguir se aqueles fragmentos haviam acontecido de verdade ou se eram fruto de sua imaginação.
Eduarda sentiu uma pontada forte na cabeça.
— Ah! — ela não conseguiu conter a exclamação, levando as mãos à cabeça. Por um instante, pareceu não conseguir sequer se manter sentada.
Cícero, que aguardava ansiosamente pela resposta de Eduarda, assustou-se com a reação dela.
Ele deixou a pintura de lado e, com grande aflição, puxou-a para seus braços.
— O que foi? A cabeça está doendo? Sente-se um pouco.
Cícero arrependeu-se de sua atitude. Sabendo que a saúde de Eduarda ainda não estava totalmente restabelecida, por que havia tentado forçar sua mente?
Ele sentia um profundo remorso.
Ele observava o estado dela ao seu lado, enquanto pressionava o interfone na mesa do escritório, chamando Damiano.
Damiano entrou na sala imediatamente.
— Prepare o carro, depressa! Vamos para o hospital do Grupo Machado. Avise a equipe médica para ficar de prontidão!
— Para qual lado? Eu a levo até lá.
Vendo que ele não pretendia soltá-la de jeito nenhum, o diretor apressou-se em guiar o caminho, levando Cícero à sala de emergência mais próxima.
Somente ao deitar Eduarda na cama hospitalar é que Cícero se tranquilizou minimamente. Ele instruiu o diretor com a voz pesada:
— Estabilizem primeiro o quadro clínico dela. Depois conversamos.
— Sim, senhor. Vamos iniciar os exames e o tratamento agora mesmo.
Sem ousar perder mais tempo, o diretor e a equipe de especialistas de ponta começaram a atender Eduarda rapidamente.
Cícero, por sua vez, foi convidado a aguardar do lado de fora da sala de emergência.
O tempo parecia se arrastar; a cada minuto, a cada segundo, Cícero era consumido por uma preocupação infinita com Eduarda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes