A leveza que os dois tinham pela manhã já havia desaparecido; agora, estavam completamente tomados pelo clima corporativo.
Damiano aproximou-se e, de maneira respeitosa, informou:
— Sr. Machado, senhora. O escritório já foi preparado e está aguardando os dois. Por favor, acompanhem-me.
Damiano havia recebido ordens antecipadas de Cícero, que o avisou que viria acompanhado de Eduarda naquele dia, pedindo-lhe que preparasse tudo. Sendo extremamente eficiente nessas tarefas, ele rapidamente deixou cada detalhe no lugar.
Subindo pelo elevador, os dois adentraram o amplo escritório.
Enquanto ouvia Damiano relatar a situação do grupo nos últimos dias, a expressão de Cícero era de um gélido distanciamento.
— O vice-presidente Roberto, após ter sido contrariado na última assembleia de acionistas, tem demonstrado extremo descontentamento em relação ao senhor e à sua esposa. Ele já está contatando outros acionistas às escondidas para formar uma oposição — relatou Damiano.
Cícero bufou de desdém e respondeu:
— O tio Roberto pode até querer ser oposição, mas para isso ele precisaria ter as cartas certas na manga. A carta de nomeação do presidente do conselho já saiu?
Damiano respondeu:
— Será distribuída hoje a todos os departamentos do grupo. O senhor continuará como CEO do Grupo Machado. A Sra. Eduarda Barbosa foi nomeada para o cargo de diretora de Relações Públicas. Já o Sr. Roberto... ele permanece na mesma posição, como vice-presidente.
— Tantas manobras só para voltar ao ponto de partida — comentou Cícero em voz baixa. — Parece que, desta vez, nosso querido vice-presidente não vai aceitar isso tão fácil.
Damiano acenou em concordância:
— O vice-presidente está bastante agitado no momento. A equipe sob o comando dele está inquieta. Mas não se preocupe, os nossos também estão monitorando cada passo deles de perto. Por enquanto, não haverá problemas.
Cícero assentiu:
— Ótimo. Confio no seu trabalho.
Assim que Damiano se retirou, Cícero olhou as horas no relógio. Ainda era muito cedo; Roberto Machado não viria incomodá-los tão cedo.
Ele correu os olhos pelo escritório e notou a máquina de café na copa. Virou-se para Eduarda e perguntou:
— Como gosta do seu café? Eu faço para você.
— Obrigada.
Sem paciência para trivialidades, Eduarda foi direto aos assuntos que importavam.
— Você mencionou de manhã que Roberto não vai desistir fácil e que não terá pena da família Nogueira ou de outros aliados. O que exatamente você quis dizer com isso?
Segurando sua própria xícara de café, Cícero encostou-se na beirada da mesa, cruzando as pernas incrivelmente compridas. Ele a olhou de relance, deixando as futilidades de lado.
— Ele descobriu o motivo de termos unido forças contra ele na assembleia. E, como no momento não tem poder para nos derrubar, naturalmente vai procurar um alvo mais fácil para descontar sua raiva.
— E esse alvo será a família Nogueira?
— Também, mas não apenas eles.
— Então quer dizer que fizemos tudo isso por nada? — O tom de Eduarda carregava uma ponta de irritação.
Se todo aquele esforço havia sido arquitetado justamente para blindar a família Nogueira, e agora Roberto voltaria a alvejá-los do mesmo jeito, então toda aquela manobra teria sido inútil e desgastante.

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