Cícero deu um sorriso amargo, carregado de dor e impotência. Era uma expressão carregada de dor e completa impotência.
No passado, quando ele próprio havia bebido demais, acabou confundindo Eduarda com outra pessoa.
Agora, o jogo havia virado. Agora era ela quem, bêbada, o confundia com outra pessoa.
Parecia que tudo no mundo seguia um ciclo implacável de causa e efeito. Um dia era ele, no outro, ela; como se esses desencontros do destino nunca tivessem fim.
Mesmo sabendo perfeitamente que Eduarda só estava relaxada e dependente em seus braços porque acreditava que ele era Franklin, Cícero ainda assim não conseguia soltá-la.
Que fosse assim, então. Ele aceitaria o papel de intruso colhendo o carinho destinado a outro homem. Desde que os dois estivessem ali, abraçados, compartilhando o calor de seus corpos, já lhe parecia suficiente.
Cícero a apertou contra si com uma teimosia desesperada, como se agarrasse o tesouro mais precioso que tinha neste mundo.
Ele sussurrou no ouvido dela, num tom que parecia mais um consolo para si mesmo:
— Não importa com quem você me confunde. Contanto que você ainda esteja ao meu lado, nós não vamos nos separar, certo?
Infelizmente, não havia ninguém para responder. O álcool já havia cobrado seu preço, e Eduarda caíra em um sono profundo, aninhada em seu peito.
Olhando para o rosto tranquilo da mulher adormecida em seus braços, Cícero abriu um sorriso de uma ternura que ele próprio não percebeu.
Ele a abraçou com muita, muita força.
Na manhã seguinte, a luz do sol invadiu o quarto sem pedir licença, iluminando a atmosfera íntima e as duas figuras deitadas na cama.
Eduarda se moveu levemente e, antes mesmo de abrir os olhos, sentiu que sua cabeça ia estourar de tanta dor.
Ela levou as mãos às têmporas e esfregou-as brevemente. Quando sua consciência começou a retornar, percebeu um peso familiar envolvendo sua cintura.
Ao abrir os olhos devagar, viu o braço sobre ela e, seguindo a linha do ombro com o olhar, deparou-se com o rosto bonito, de traços esculpidos, bem diante de si.
Imediatamente, Eduarda deu um empurrão e recuou, arrastando-se para a beira da cama.
O movimento brusco acordou Cícero. Com o sono ainda dissipando-se, ele abriu os olhos e viu a expressão defensiva e em alerta da mulher.
Cícero soltou uma risada baixa e amarga. Recolheu a mão, ainda sentindo a textura e o calor da pele dela, que agora esfriava aos poucos.
— Você estava bêbada ontem. Foi você quem me abraçou primeiro — disse Cícero, deitando-se de costas rapidamente para não pressioná-la. — Eu não te forcei a nada.
— Sr. Machado, poupe-me dessas suas encenações.
Eduarda era totalmente imune ao charme ensaiado de Cícero. Não tinha a menor paciência nem obrigação de participar daqueles joguinhos.
Sem perder mais tempo com conversas vazias, ela saiu da cama.
— Levante-se se já dormiu o suficiente. Temos negócios importantes para tratar no grupo hoje.
Dito isso, Eduarda virou as costas e entrou no banheiro. Logo em seguida, o som da água do chuveiro começou a ecoar.
Somente então Cícero se sentou. Qualquer traço de brincadeira desapareceu de seu rosto. Olhando em direção ao banheiro, ele soltou um longo e pesado suspiro.
— Me descarta assim que termina de me abraçar... Tão cruel comigo — murmurou ele, com um tom aparentemente descontraído, mas com os olhos transparecendo uma dor inegável.
Ele então se levantou e foi até o outro lavabo da sala VIP.
Grupo Machado.
A chegada conjunta de Cícero e Eduarda provocou um enorme alvoroço na empresa.

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