Eduarda Barbosa abaixou a cabeça e deu um sorriso amargo em silêncio. Ela não sabia se, ao encontrar Franklin Nogueira, ainda conseguiria dizer tudo o que havia planejado.
Eduarda respondeu:
— Franklin, vamos nos encontrar quando você tiver um tempo. Tenho algumas coisas que quero te dizer pessoalmente.
Franklin não recusou o pedido dela:
— Posso passar na sua casa para te pegar, o que acha?
Eduarda retrucou:
— Não, eu vou sozinha. Vamos marcar um lugar para nos encontrarmos.
— Tudo bem — Franklin concordou. — Me diga onde quer ir, e eu vou até você.
Eduarda falou mais algumas palavras e, por fim, decidiu marcar na praia de Nova Aurora. Era mais perto de seu ateliê, o que, de certa forma, lhe daria um pouco mais de segurança.
Eduarda vestiu um vestido simples e discreto, e prendeu o cabelo em um coque despretensioso. Sem maquiagem, ao se olhar no espelho, ela parecia uma jovem recém-formada, com uma beleza leve e natural.
Depois de se arrumar, ela saiu do quarto e desceu as escadas. Ao passar pela sala de estar, chamou a atenção de Cícero Machado, que estava lendo um livro no sofá.
— Aonde você vai? — ele perguntou.
Eduarda parou por um instante e respondeu:
— Preciso te prestar contas?
Cícero, parecendo um pouco frustrado, disse:
— Não foi isso que eu quis dizer. Só estou preocupado com você.
Sem paciência para discutir, Eduarda rebateu:
— Não vou para nenhum lugar perigoso. Não precisa se preocupar. Já vou.
Dito isso, Eduarda caminhou em direção à saída da mansão.
Do sofá, através das grandes janelas de vidro, Cícero a observou tirar um carro da garagem e partir sozinha.
Ele chamou o administrador da casa e perguntou:
— Você sabe aonde a Sra. Machado foi?
O administrador balançou a cabeça:
Apenas esse breve cumprimento foi o suficiente para quase fazer Eduarda chorar. Seu nariz ardeu, mas ela forçou-se a conter a vontade de derramar lágrimas.
Ela sabia que já havia perdido o direito de se jogar nos braços daquele homem e chorar sem restrições.
Só no momento da perda ela percebeu com clareza o quanto aquele abraço era seguro e acolhedor, e como aquilo lhe fazia falta.
Eduarda mordeu o lábio com força até sentir dor. Só então respirou fundo e teve coragem de erguer os olhos para olhar para Franklin.
Mas, na verdade, ela havia superestimado a própria força. Ela queria desesperadamente depender dele mais uma vez, como sempre fazia.
As palavras cruéis não saíram. Em vez disso, ela apenas o abraçou com força, de forma quase desesperada.
Sendo abraçado daquela forma, Franklin sentiu como se sua alma finalmente estivesse em paz.
Não precisavam dizer nada. Bastava o conforto daquele abraço e a segurança que encontravam na presença um do outro.
O abraço durou um longo tempo, com os dois apenas segurando um ao outro em silêncio.
Até que, finalmente, Eduarda soltou os braços primeiro, e Franklin, a contragosto, a deixou ir.
A brisa do mar, carregada de uma frente fria, rapidamente varreu o espaço entre eles, dissipando por completo a atmosfera terna e afetuosa que havia ali.

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