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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 549

Cícero não fazia ideia do turbilhão de pensamentos que passava pela cabeça de Adilson.

Ao ver o sofrimento do neto, Adilson não se sentiu à vontade para expor tudo de forma tão direta. Sabia havia muito tempo que Cícero dificilmente aceitaria essa verdade com tranquilidade. Esse assunto ainda pairava sobre todos como uma espada afiada.

O fio que sustentava aquela espada pesada podia se romper a qualquer momento; tudo dependia de quem, e quando, teria coragem de tocá-lo.

Adilson permaneceu em silêncio por um bom tempo, até perceber que já não tinha mais nada a dizer.

Sabia que não podia falar de forma precipitada. Decidiu que seria melhor esperar por uma oportunidade mais adequada. Afinal, aquele momento não parecia o mais favorável.

Então apenas sorriu com gentileza e disse:

— Cícero, não se preocupe tanto com isso. Talvez a Eduarda nem recupere essas lembranças dolorosas do passado, e vocês ainda tenham a chance de consertar essa relação. Ninguém sabe o que o futuro reserva.

Cícero, ainda calado, apenas assentiu.

Adilson trouxe a conversa de volta para os negócios.

— Prepare-se para voltar. Você ainda responde formalmente pelas empresas no exterior, mas vou encontrar um momento para convocar o seu tio Roberto e os outros para uma reunião. Nessa ocasião, vou restaurar o seu cargo e obrigar o seu tio Roberto a recuar.

Cícero hesitou um pouco.

— O tio Roberto... não vai aceitar isso com facilidade.

Mas, dessa vez, Adilson foi firme:

— Não se trata de ele aceitar ou não. Nomeações de alto escalão passam por mim, como presidente do conselho. Além disso, somando as suas ações com as minhas, nós temos o controle majoritário. E mais: o seu afastamento foi formalizado apenas como uma transferência temporária. Sua volta ao cargo de CEO é perfeitamente justificável.

— E quanto à Eduarda, você deveria encontrar um cargo adequado para ela no grupo. Ouvi dizer que ela já foi uma designer muito famosa. Eu mesmo estranhei quando soube que ela conhecia aquela marca renomada de bordados exclusivos, mas depois descobri que era da área dela. Não desperdice um talento desses. Trabalhar juntos também pode fazer bem à relação de vocês.

A palavra de Adilson dentro do Grupo Machado ainda tinha um peso enorme. O que ele decidia, ninguém ousava contestar.

Cícero conhecia muito bem a autoridade do avô. Se ele havia dito aquilo, então a decisão já estava tomada.

— Estou velho. A única coisa que quero deixar para você é algo sólido, não um prédio prestes a desabar. — Adilson olhou para Cícero como se, naquele rosto tão familiar, enxergasse o próprio filho, falecido há muitos anos. — A decisão do seu pai, naquela época, estava certa...

Ao ouvir a menção ao pai, os olhos de Cícero se encheram de umidade.

— O que o senhor quer dizer com isso? Que decisão meu pai tomou naquela época?

Mas Adilson apenas abaixou um pouco a cabeça, balançou-a e não respondeu.

Momentos depois, levantou-se e disse:

— Muito bem, pode ir agora. Eduarda e Arthur devem estar esperando há um bom tempo. Vou pedir que preparem o almoço. Fiquem e almocem conosco.

Embora estivesse confuso, Cícero achou inadequado insistir naquele momento e acompanhou o avô escada abaixo.

Inicialmente, Adilson tinha pensado em conversar com Eduarda em particular. Mas, depois de ouvir de Cícero que ela havia esquecido boa parte do passado, concluiu que talvez essa conversa não surtisse efeito e desistiu da ideia.

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