Adilson deixou o quadro de lado e voltou toda a sua atenção para aquela família de três. Não esperava testemunhar de novo uma cena tão harmoniosa e, naquele momento, ainda não sabia exatamente o que havia acontecido entre eles para chegarem àquele ponto.
Depois de se sentar, Eduarda observou o idoso abatido à sua frente. Sentiu que ele já não era mais o magnata imponente que controlava o mercado com mão de ferro; agora, parecia apenas um homem na fase final da vida.
Talvez, quando alguém chega a certo ponto da existência, a armadura moldada pela ambição comece simplesmente a se desfazer.
O olhar de Adilson já não carregava a antiga severidade. Pelo contrário, estava muito mais brando.
— Fico muito feliz em ver vocês aqui — comentou. — É bom saber que ainda se lembram deste velho.
Cícero respondeu:
— Que isso, vô? O senhor sempre vai ser meu avô, aconteça o que acontecer.
Os olhos de Adilson se umedeceram.
— Eu sabia que não estava enganado. Você é um bom rapaz.
Cícero sorriu de leve.
Arthur então aproveitou para pedir atenção:
— Por que o biso só elogia o papai? O Arthur também veio te ver, biso! Me elogia também!
O rostinho redondo de Arthur se inflou, arrancando uma risada de Adilson. O menino se aconchegou nele, rindo também.
Adilson sorriu e afagou os cabelos macios do bisneto.
— O Arthur também é muito bonzinho, claro. O biso ama você demais.
Satisfeito com o elogio, Arthur começou a fazer ainda mais manha no colo de Adilson, enquanto Cícero o advertia com delicadeza para não cansar o bisavô.
Sentada ali, observando a rara harmonia entre as três gerações, Eduarda foi tomada por uma sensação muito estranha.
Ela não sabia explicar por quê, mas parecia que, em algum momento da vida, já tinha desejado exatamente uma cena como aquela — e agora a via diante dos próprios olhos.
— O tio Roberto nunca escondeu a ambição. Desta vez, ele realmente se apressou. E os métodos que usou foram ainda piores do que antes.
Adilson conhecia perfeitamente as manobras do mundo corporativo. Quando os líderes agiam com tanta crueldade, ficava claro que não queriam deixar a menor chance de sobrevivência para empresas menores.
— Eu já tinha avisado a ele que o Grupo Machado não devia mais se envolver nesse tipo de prática. Na vida, a gente sempre deve deixar uma saída, e nos negócios isso é ainda mais importante. Mas o seu tio Roberto não ouviu nada do que eu disse, e a ambição dele só cresceu. Se isso continuar assim, eu já não me sinto seguro deixando o Grupo Machado nas mãos dele.
Cícero fez uma pausa antes de perguntar:
— E o que o senhor pretende fazer, vô?
Adilson respondeu em voz baixa:
— Cícero, já que você voltou, eu não tenho intenção nenhuma de deixar você partir de novo. Não preciso dizer muito: durante os anos em que você esteve no comando, o grupo ficou em ótimas mãos. Bastou o seu tio Roberto assumir por pouco tempo para causar toda essa confusão. Eu não consigo ficar em paz com isso.
Ele pensou por um instante e continuou:
— Volte para nós, Cícero. Eu ainda tenho força suficiente para controlar a situação, então não vai ser difícil recolocar você no seu lugar. O Grupo Machado, e a família Machado como um todo, precisam de você. Volte, meu filho.

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