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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 544

— Tia Weleska, quando você chegou? Eu nem vi.

Weleska percebeu imediatamente que a criança já não era tão apegada a ela quanto antes. Ainda assim, forçou uma expressão extremamente carinhosa e sorriu para Arthur.

— Arthur, vem cá com a tia Weleska. A tia sentiu tanta saudade... Deixa eu te dar um abraço e te colocar para dormir, pode ser?

Arthur, porém, continuou parado onde estava e balançou a cabeça. Ele estava preocupado. E se a mãe visse? E se ela ficasse brava?

A mãe já não estava sendo tão carinhosa com ele ultimamente. Se o visse com a tia Weleska, com certeza ficaria ainda mais distante.

— Tia Weleska, a minha mãe voltou. Eu não posso ficar muito perto da senhora, senão a mamãe vai ficar triste.

Arthur falou baixinho, sem sair do lugar e sem se aproximar dela.

Weleska vinha fracassando em tudo — e agora até com Arthur. O sorriso quase congelou em seu rosto.

Mesmo assim, continuou forçando a simpatia.

— Tudo bem, Arthur. A tia não vai insistir. Pode ir descansar.

Ao ouvir isso, Arthur subiu as escadas de chinelos, sem dizer mais nada.

Ser ignorada daquela forma, como se fosse uma completa estranha, deixou Weleska ainda mais enfurecida.

O administrador da casa, que observava de longe a expressão dela, achou que ela fosse surtar, quebrar alguma coisa ou simplesmente sair batendo a porta. Para sua surpresa, Weleska não disse nada. Apenas se virou e voltou para o quarto no andar de cima.

O administrador ficou olhando e balançou a cabeça várias vezes.

Na manhã seguinte, quando Eduarda saiu do quarto, ainda vestia um pijama de seda.

Como se tivesse calculado o momento exato, Weleska também saiu do seu quarto e parou de propósito bem na frente dela.

Eduarda, que ainda nem tinha despertado direito, não achou graça nenhuma em dar de cara com Weleska logo cedo.

Weleska se exibiu de propósito:

— Ontem à noite eu disse que estava com medo, e o Cícero ficou um bom tempo me fazendo companhia.

Ela falou em tom insinuante, claramente querendo induzir Eduarda a entender outra coisa. Mas Eduarda não caiu na provocação.

Eduarda lançou apenas um olhar rápido e logo desviou.

Cícero, porém, aproximou-se dela com um ar misterioso, escondendo algo atrás das costas.

Quando chegou à mesa, revelou um pequeno e vibrante buquê de flores frescas. As pétalas se abriam em direção a Eduarda com delicadeza, exibindo sua beleza sem reservas.

Com a voz baixa e suave, Cícero disse:

— Pedi que colhessem na estufa. Achei que combinavam com você. Gostou?

Talvez por respeito às flores, Eduarda olhou para elas por alguns segundos a mais.

— Da próxima vez, não mande colher. É desperdício — disse friamente, apenas pedindo que colocassem o buquê num vaso.

Ela não tinha interesse nenhum naquele excesso de cuidado vindo de Cícero.

Embora ainda não entendesse tudo com clareza, uma coisa ela parecia ter certeza:

Nem o coração de Cícero, nem o próprio homem, mereciam ser valorizados por ela.

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