Mas algumas coisas não podiam ser escondidas com tanta facilidade, e os dois não tinham outra escolha senão continuar enganando a si mesmos e um ao outro.
Naquele momento, no estacionamento do lado de fora do restaurante, Cícero olhou para o relógio de pulso. Quase uma hora já tinha passado. Ele voltou a olhar para a entrada, mas não havia sinal algum de Eduarda ou Franklin.
Depois de pensar por alguns segundos, Cícero abriu a porta e saiu do carro.
Damiano, que observava tudo do veículo, não tentou impedi-lo. Ele sabia que isso aconteceria, e um assistente esperto sabia que não devia intervir nessas horas.
Cícero entrou no restaurante. O garçom olhou para o homem que acabara de chegar e, percebendo pelas roupas e pelo semblante que ele não era alguém comum, aproximou-se imediatamente para perguntar:
— Senhor, tem reserva ou gostaria de uma mesa para um?
Cícero parou e perguntou:
— Uma hora atrás, uma mulher de vestido vermelho entrou aqui. Ela é minha esposa. Em qual sala ela está?
O garçom parou por um instante para se lembrar:
— A senhora de mais cedo disse que esperava apenas uma pessoa, e um cavalheiro já foi até lá. O senhor...
O garçom não se atreveu a levá-lo até lá com tanta facilidade. Se alguma coisa acontecesse, ele não poderia assumir a responsabilidade.
Cícero ligou para Damiano. Depois de entrar e conversar com o gerente do restaurante, o próprio gerente veio atender Cícero pessoalmente.
— Então são o Senhor Machado e a Senhora Machado. Não sabíamos da situação, espero que o Senhor Machado não nos leve a mal. Vou levá-lo agora mesmo à sala privativa da Senhora Machado.
O gerente do restaurante guiou Cícero com muita educação e respeito.
O olhar de Franklin, antes um pouco abatido, tornou-se afiado no instante em que viu Cícero.
O mesmo aconteceu com Cícero; a agressividade em sua expressão era ainda mais evidente.
Talvez fosse puro instinto de rivalidade entre homens, mas uma tensão indescritível se formou imediatamente entre os dois, como se faíscas estivessem se chocando no ar.
Franklin franziu a testa e disse, num tom nada amigável:
— Cícero, o que você está fazendo aqui? Eu e a Eduarda definitivamente não o convidamos.
Cícero arqueou uma sobrancelha:
— Claro que eu não vim por sua causa. A Eduarda e eu também temos coisas para conversar.

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