O ambiente na sala privativa foi tomado mais uma vez por um profundo silêncio.
Eduarda olhou fixamente para Franklin. O rosto dele parecia ainda mais abatido do que nos últimos dias. Não era apenas cansaço; havia ali um desânimo pesado, como se a própria vitalidade dele estivesse sendo sugada aos poucos.
Eduarda caminhou até ele. Ergueu a mão lentamente e acariciou sua têmpora. Ao observar o fundo de seus olhos, notou o cansaço evidente de noites mal dormidas. Os vasinhos rompidos refletidos na vermelhidão dos olhos dele provavam que os últimos dias não tinham sido nada fáceis.
Uma ardência surgiu no nariz de Eduarda, anunciando as lágrimas. Ela baixou os olhos, contendo à força a súbita vontade de chorar. Só quando ergueu o rosto novamente conseguiu falar:
— Franklin, como foram os últimos dias? A situação na empresa está caminhando bem, não está?
Franklin apenas balançou a cabeça em sinal positivo, escondendo os problemas reais:
— Sim. Está quase tudo resolvido. Não precisa se preocupar.
Eduarda sabia perfeitamente que ele estava mentindo para protegê-la. Na verdade, a situação do Grupo Nogueira estava à beira do colapso. O único motivo que tinha levado Franklin àquele jantar era, muito provavelmente, o fato de ele estar sufocado por tanta pressão e precisar desesperadamente de um momento para respirar e recuperar as forças.
Eduarda escolheu não desmascarar a mentira gentil de Franklin.
De forma lenta e carinhosa, Franklin puxou Eduarda para um abraço acolhedor. No instante em que seus corpos se encontraram, os dois sentiram uma vontade imensa de desabar em prantos.
Eduarda retribuiu o abraço com ternura.
Apoiando o queixo no ombro dela, Franklin se entregou ao conforto do calor de sua presença.
Mantendo-a nos braços, ele sussurrou devagar:
Eduarda respondeu:
— Eu adoraria. Também mal posso esperar para voltarmos para casa. Estou com tanta vontade de visitar aquela praia de novo. A Sabrina me disse que em breve vai haver outro concerto daquela orquestra sinfônica. Vamos assistir juntos, certo?
Aquelas palavras tocaram algo muito fundo em Franklin, e, como se tentasse se agarrar àquela promessa, ele apertou ainda mais o abraço.
Preocupada com a saúde dele, pouco depois Eduarda insistiu para que ele comesse alguma coisa.
Os garçons logo começaram a servir os pratos, um por um. Eduarda fizera questão de pedir os favoritos de Franklin. Ele também colaborou e, apesar de não estar com apetite, se esforçou para comer uma boa quantidade, apenas para não preocupá-la.
Durante todo o jantar, os dois mantiveram a encenação, forçando sorrisos e escondendo a dor para tentar criar uma atmosfera mais leve e confortável para o outro.

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