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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 480

Vendo Eduarda parada ali, completamente atordoada, Cícero entrou em pânico de verdade. Ele se culpou por ter tocado naqueles assuntos do passado. Se não tivesse dito nada, talvez ela não estivesse naquele estado.

— Eduarda, fala alguma coisa. Você está bem? — perguntou, sem sair do lugar, sem coragem de tentar se aproximar mais.

Ao ouvir a voz dele, Eduarda foi saindo aos poucos daquele estado de confusão. A pontada na cabeça ainda estava ali, mas já não era tão insuportável quanto antes.

Ela levantou os olhos para Cícero e perguntou num tom distante:

— Entre eu e você... aconteceu alguma coisa no passado?

Uma intuição profunda dizia a Eduarda que a história deles não era tão simples. Será que o divórcio escondia outros segredos?

Dessa vez, foi Cícero quem ficou sem palavras.

Ele não podia contar tudo o que tinham vivido. Preferia mil vezes que Eduarda continuasse a tratá-lo com aquela indiferença fria do que voltar a encará-lo com ódio e ressentimento.

Parecia que quem erra está sempre condenado a isso: não ter motivo, nem direito, de pedir mais nada.

Por mais que desejasse voltar no tempo, aquilo não passava de uma fantasia impossível.

Cícero abriu a boca com dificuldade:

— Entre nós... não aconteceu nada.

Foi só naquele instante que ele percebeu o quanto doía mentir. Era como se uma faca estivesse sendo enfiada diretamente em seu coração.

Eduarda balançou a cabeça de leve, soltou apenas um “ah”, virou-se com suas coisas e foi embora.

Cícero quis ir atrás, mas não saberia o que dizer se a alcançasse.

Talvez, naquele momento, a única coisa que lhe restasse fosse observá-la de longe, sem colocar ainda mais pressão sobre ela.

Ele a seguiu em silêncio, mantendo uma distância segura, mas ainda suficiente para não perdê-la de vista.

Eduarda caminhou até os elevadores para descer à garagem. Cícero parou mais atrás, sem se aproximar.

Ela percebeu a presença dele. Pelo reflexo das portas polidas do elevador, conseguia ver a figura alta parada ao longe.

Ele sabia que estava completamente preso a cada gesto de Eduarda. Talvez fosse exatamente isso se apaixonar: qualquer coisa que ela fizesse era capaz de capturar toda a sua atenção.

O caçador nem precisava armar a isca; a presa se lançava sozinha no anzol.

Cícero deu um sorriso amargo. Nunca imaginou que ficaria tão apegado àqueles breves minutos sozinho com ela naquele pequeno elevador, mesmo sem poder tomá-la nos braços.

Mas momentos assim, de fantasia e calor, sempre acabam.

O elevador finalmente chegou ao andar da garagem subterrânea.

Assim que as portas se abriram, Eduarda saiu sem hesitar, como se Cícero fosse apenas um estranho atrás dela, sem nem sequer dizer tchau.

Cícero soltou um suspiro e saiu logo depois. Ficou parado, observando Eduarda se afastar passo a passo, vendo Franklin descer do carro, pegar as coisas das mãos dela, e os dois conversarem e rirem como um casal apaixonado.

Aquela cena tão simples de carinho perfurou fundo o coração de Cícero.

No passado, momentos bonitos como aquele deveriam ter pertencido a ele e a Eduarda.

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