A atitude dele deixou Eduarda um pouco sem reação por um instante.
Ela pensou consigo mesma: “Tem muitas outras coisas que você também não sabe.”
— Você nunca tentou me entender. Como poderia saber? Esquece, não faz sentido falar sobre isso agora — Eduarda não queria ficar ali revivendo tristezas antigas com ele. Aquilo só traria de volta dores do passado e um incômodo sem utilidade nenhuma.
Ela soltou um longo suspiro e disse:
— Você veio atrás de mim para falar mais alguma coisa? Se não, eu já vou.
Mesmo enquanto perguntava, Eduarda já começava a se virar, dando o primeiro passo para ir embora.
Cícero esticou as pernas longas e se colocou diante dela, quase bloqueando completamente a passagem.
Eduarda levantou a cabeça para olhar para ele, querendo saber o que mais ele pretendia fazer. Segundos depois, foi ele quem ficou subitamente travado.
Os olhos de Cícero avermelharam de repente, e suas mãos se cerraram com força, como se tentasse conter alguma coisa.
Enquanto Eduarda dava um passo para trás, ouviu uma frase sair dele com uma tristeza profunda:
— Eduarda, me desculpa.
Ela ficou atônita por um segundo, piscou rápido e respondeu:
— Eu aceito seu pedido de desculpas. Afinal, foi você quem errou primeiro comigo no nosso casamento.
Cícero deu um sorriso amargo e murmurou para si mesmo:
— Eu errei com você em muitas coisas.
Lembrou-se da imagem de Eduarda no palco, minutos antes, usando aquele vestido de noiva de cetim branco, e sentiu um aperto indescritível no peito.
— No nosso casamento, eu nunca deveria ter deixado você sozinha na cerimônia. Você deve ter se sentido tão desamparada.
Ele imaginou a cena: um casamento luxuoso da alta sociedade, cheio de convidados, todos esperando os dois protagonistas daquele dia.
E Eduarda, sozinha no altar com seu vestido de noiva, exposta aos comentários maldosos e aos risos de todos. O quanto ela tinha esperado por aquele casamento era a medida exata da ferida profunda que aquilo devia ter aberto em seu coração.
Só de pensar nisso, o coração de Cícero doía por ela, e ele sentia repulsa pelas próprias atitudes do passado.
Eduarda também tentou puxar aquela lembrança, mas as memórias do casamento estavam um pouco embaçadas; ela não conseguia recordar os detalhes com clareza.
E então Cícero apenas lhe lançou um olhar gelado.
“Eu não quero os seus sentimentos. Guarde isso para você.”
Dizendo isso, ele se virou e foi embora sem hesitar.
Ela ficou parada no mesmo lugar, de cabeça baixa e com o coração em pedaços. Muito tempo depois, abraçou o presente e voltou sozinha, triste.
Eduarda sentiu de imediato um gosto amargo, uma sensação profundamente irreal.
Ergueu o olhar e viu que Cícero continuava encarando-a com preocupação, perguntando como ela estava.
Aquela sensação desconexa não combinava em nada com o que acabara de surgir em sua mente. Eduarda empurrou Cícero, firmou os pés no chão e levou alguns instantes para voltar a si.
De repente, foi engolida por uma enorme confusão, como se estivesse cercada por um nevoeiro espesso, incapaz de distinguir o que era real e o que era ilusão.
Se aquelas memórias que tinham acabado de emergir fossem só fruto da sua imaginação, por que o coração doía tanto?
Naquele momento, Eduarda estava tendo dificuldade de separar verdade e mentira. Chegou até a sentir que o próprio Cícero diante dela também era uma ilusão.

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