A futura noiva pareceu entrar em dúvida e sussurrou algo para a assistente. Logo depois, Eduarda ouviu o apresentador, após receber a instrução, anunciar:
— Foi decidido que haverá uma comparação final entre as criações das estilistas Weleska e Eduarda. Convidamos as duas designers e suas modelos a subirem ao palco juntas.
Weleska lançou um olhar ressentido para Eduarda, jamais imaginando que aquilo terminaria num confronto direto entre as duas.
Weleska subiu ao palco acompanhada de sua modelo, enquanto do lado de Eduarda estava apenas ela mesma.
Weleska se aproximou um pouco. Embora mantivesse um sorriso no rosto, suas palavras não conseguiam esconder a hostilidade evidente.
— Eduarda, você realmente é impressionante. Sem modelo, resolveu subir você mesma na passarela. Fez isso só para me provocar, não foi? — sussurrou entre os dentes.
Eduarda manteve o sorriso tranquilo e rebateu:
— O seu plano falhou. Deve estar bem decepcionada, não?
Weleska levou um susto e a encarou, chocada:
— Como... como você sabe que fui eu...
— Não é óbvio? A minha modelo sofreu um “acidente” de última hora. Quem mais faria isso além daquele seu assistente?
Eduarda lançou a ela um olhar de desprezo:
— Nem para apagar os próprios rastros quando resolve jogar sujo. Sua cabeça continua tão limitada quanto na época da faculdade.
Momentos antes, nos bastidores, Eduarda tinha notado uma figura ao mesmo tempo familiar e estranha. A pessoa saiu discretamente do banheiro. Eduarda percebeu claramente que era o banheiro feminino, mas aquele vulto, sem dúvida alguma, não era de uma mulher.
Ao cruzar com ele na curva do corredor, ela reconheceu o homem que sempre andava atrás de Weleska. Seria estranho demais se não tivesse ligado os pontos.
Pensando melhor sobre quem teria interesse em sabotá-la justo naquele momento, a resposta era mais do que óbvia.
Desmascarada, Weleska nem se deu ao trabalho de disfarçar:
Como estava um pouco desconfortável com a roupa, preparava-se para levantar a barra do vestido e se aproximar, quando, de repente, alguém surgiu pelo lado esquerdo do palco e segurou seu braço. Ao se virar, Eduarda viu Franklin, vestindo um terno branco impecável e irradiando elegância, parado ao seu lado.
— Eu teria a honra de ficar ao seu lado e assumir o papel do seu estilista? — perguntou Franklin.
Sabendo que ele estava ali para tirá-la daquela situação constrangedora, Eduarda sorriu e assentiu:
— Claro, meu estilista.
Franklin abriu um sorriso terno e estendeu a mão para ela, com a palma voltada para cima.
Eduarda soltou a saia e pousou delicadamente a mão sobre a dele.
Os dois no palco pareciam duas criaturas saídas de um sonho. Num instante, atraíram incontáveis olhares e uma enxurrada ainda maior de cliques fotográficos. E, naturalmente, entre todos aqueles olhares estava o de Cícero, sentado na plateia.
Ao ver os dois sorrindo felizes no palco, como se estivessem no próprio altar de casamento, o coração de Cícero desabou de imediato, despedaçando-se em silêncio e com dor.

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