Franklin bateu algumas vezes na porta do ateliê de Eduarda. Depois de ouvir um “pode entrar” abafado, abriu a porta.
Logo no primeiro passo, quase tropeçou numa pilha de amostras de tecido espalhadas pelo chão.
Visivelmente sem graça, Eduarda se desculpou:
— Eu estava tão concentrada que nem vi a bagunça. Desculpa.
Ela estava de pé diante da mesa de corte, comparando cuidadosamente diferentes tipos de tule. Depois de alguns minutos, soltou um suspiro frustrado e largou as amostras.
Franklin deixou a sobremesa que havia trazido em um canto e se abaixou para ajudá-la a organizar os retalhos espalhados.
Exausta, Eduarda o puxou para se sentarem no sofá ali perto.
Ao ver as olheiras dela, Franklin sentiu o coração apertar.
Mas Eduarda parecia nem perceber o próprio cansaço:
— Não consigo encontrar o tecido ideal. Os croquis já estão prontos, mas essa etapa decisiva da escolha dos materiais travou tudo.
Como tinha pesquisado um pouco sobre moda nos últimos tempos, Franklin comentou:
— Eu sei que o caimento e a textura são o que dão vida ao desenho, não é? Sem o tecido certo, até a melhor criação fica só no papel.
— Exatamente — concordou ela. — Ser estilista não é só desenhar uma roupa bonita. A sensibilidade tátil e a intuição na escolha dos fios também são fundamentais. Isso põe o senso estético da gente à prova. Mesmo com a minha experiência, eu não bato o olho em milhares de tecidos e sei na hora qual combinação vai funcionar melhor. Isso exige tempo e dedicação.
Franklin acompanhava de perto o nível de entrega de Eduarda.
Quando estava trabalhando, ela se desligava completamente do mundo. Para chegar à excelência, mesmo sendo a consagrada Ember, ainda precisava investir um tempo imenso e consumir muita energia física e mental.
Mas era justamente essa teimosia e essa devoção absoluta ao próprio trabalho que a tornavam tão fascinante aos olhos dele.
Livre de um amor tóxico, brilhando e lutando pelo próprio espaço, ela tinha se tornado ainda mais deslumbrante.
Ele tinha visto o quanto ela mergulhara naquele projeto de vestido de noiva. Passara dias estudando as tradições e o protocolo da alta sociedade local, percorreu tecelagens examinando rolos e mais rolos de tecido até os dedos doerem, e ainda se debruçou sobre catálogos históricos pesados em busca de inspiração. Seu empenho era admirável.
O mais impressionante era que ela nunca reclamava. Quando a inspiração vinha, largava tudo para se trancar em seu mundo criativo, como se virasse outra pessoa.
Aproveitou também para alinhar a logística:
— A seleção com a prova do vestido é depois de amanhã. Quer que eu passe aí para irmos juntas ou prefere me encontrar lá?
Eduarda pensou um pouco antes de responder:
— A gente se encontra lá. Não quero atrapalhar seu horário.
— Combinado. Então até depois de amanhã!
Eduarda desligou o telefone. Olhando para o espaço onde antes estava o manequim com sua obra finalizada, abriu um sorriso satisfeito.
No dia da aguardada apresentação, Franklin fez questão de levá-la. Eduarda insistiu que podia ir sozinha, mas ele se manteve irredutível, e os dois saíram juntos rumo ao evento.
Ao chegarem, Eduarda finalmente percebeu a dimensão da ocasião. O palco da apresentação ficava em um centro de convenções de prestígio internacional, que unia o charme da arquitetura neoclássica europeia a elementos modernos e sofisticados.
Ela já sabia que não seria algo simples, mas a estrutura era realmente impressionante. Gastar uma fortuna só na etapa de escolha do vestido de noiva... A elite vivia mesmo sob regras e caprichos muito distantes da vida comum.

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