Eduarda se ajeitou na cadeira.
— Do que se trata? Pela sua expressão, parece coisa grande.
O semblante de Sabrina continuava profissional e concentrado.
— É importantíssimo — confirmou. — Uma jovem da elite aristocrática local está prestes a se casar em um casamento arranjado entre famílias influentes e está procurando um estilista para criar o vestido de noiva dela.
— Claro que criar um vestido em si não é o problema. A questão complicada é justamente a origem dessa noiva. Por causa da posição dela, o processo de seleção e o nível de exigência vão ser absurdamente rigorosos.
— Nós recebemos um convite para enviar portfólios. Eu pretendo escalar três dos nossos estilistas contratados e já coloquei o seu nome na lista. Algum problema?
Eduarda assentiu com tranquilidade.
— Por mim, tudo certo. Eu topo.
Sabrina já esperava essa resposta.
— Então vou confirmar nossa participação. Fico feliz que tenha aceitado. Se você fizer um bom trabalho e conquistar o respaldo dessa família influente, as portas vão se abrir com muito mais facilidade para você. Vai ser um grande passo para se firmar de vez por aqui.
Ao ouvir a expressão “se firmar”, uma sombra passou rapidamente pelo rosto de Eduarda.
— O que foi? — perguntou Sabrina.
Ela balançou a cabeça.
— Nada demais. Só lembrei do Brasil. Meu ateliê e meus colegas continuam lá.
Nos últimos tempos, ela vinha conversando bastante com Pérola, que repetia sem parar que estava morrendo de saudade e até falava em ir visitá-la. Era impossível não sentir falta da vida que tinha deixado para trás.
Ela também tinha mantido contato com a Aurora Tech Investimentos e com Rafael Duarte. Rafael se mostrou tão aflito ao telefone que chegou a assustá-la. Eduarda tentou acalmá-lo, explicando que estava lidando com alguns problemas que a impediam de voltar naquele momento. Chegou até a se oferecer para pagar a multa da rescisão do contrato, mas Rafael recusou imediatamente.
A resposta dele foi categórica: “Não importa onde você esteja, sempre vai ter um lugar pra você aqui.” Diante de tamanha insistência, ela só conseguiu agradecer e prometer que falariam de novo.
Ao se lembrar disso, percebeu que precisaria voltar ao Brasil em algum momento. Havia uma sensação persistente dentro dela, como se ainda existissem pendências que não podiam ser evitadas.
Era justamente essa sensação que a impedia de dar uma resposta firme quando Sabrina falava em morar no exterior de forma definitiva. A história dela ainda não tinha acabado.
Weleska pegou a folha com desdém, mas bastou um olhar rápido para travar diante de um nome muito conhecido.
— Essa aqui é...
A diretora se apressou em comentar:
— Ah, essa tal de Eduarda? É só uma novata qualquer da Flor de Ouro Fashion. A aposta principal deles é a Ember e um designer francês. Essa aí deve estar na lista só pra preencher espaço.
Uma faísca perversa brilhou nos olhos de Weleska. Depois de pensar por um instante, ela falou em voz baixa:
— Preciso que você me faça um favorzinho...
Ela sussurrou algumas instruções no ouvido da diretora, que concordou com um aceno e se retirou.
Sozinha, Weleska abriu um sorriso sarcástico, envenenado por inveja e ódio.
— Eduarda... — murmurou entre os dentes, com satisfação doentia. — Você vai cair na minha armadilha de novo. Você mesma cavou a própria cova, então depois não me culpe.

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