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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 461

Cícero ouviu tudo aquilo com total incredulidade, como se estivesse escutando o boato mais absurdo do mundo.

Ele simplesmente não conseguia acreditar em nada do que Franklin dizia.

— Não, isso é impossível. Você está dizendo isso só porque quer tirá-la de mim, não é? Acha mesmo que eu vou acreditar numa história dessas?

Cícero falava aquilo muito mais para convencer a si mesmo do que a Franklin.

Eduarda não o esqueceria. Ela o amou tanto... como poderia apagar tudo de uma hora para outra? Era impossível.

Como ele poderia acreditar numa coisa dessas? Como ousaria acreditar? Aquilo era impensável.

Balançando a cabeça, Cícero se recusava terminantemente a aceitar as palavras de Franklin.

Se acreditasse, sentia que desmoronaria de vez.

Ao ver a palidez no rosto de Cícero, Franklin por um instante até se sentiu cruel. Mas, ao observar a dor dele, concluiu rapidamente que aquele sofrimento era merecido. E, na verdade, ainda era pouco. Comparado a tudo o que Eduarda tinha passado, Cícero merecia um castigo muito pior.

Sem o menor traço de piedade, Franklin continuou:

— Se eu estou mentindo ou não, você mesmo já percebeu a verdade. Qual é a utilidade de continuar se enganando? Ou você não tem coragem de encarar os fatos? Você precisa arcar com as consequências de tudo o que fez.

Cícero levou a mão ao peito de repente, como se estivesse passando mal, mas Franklin apenas o observou, sem mover um dedo para ajudá-lo.

Destruir o coração de alguém, ferir uma pessoa até a alma e só depois perceber o erro e querer consertar... de que adiantava dizer que estava arrependido e apaixonado? O outro por acaso tinha a obrigação de perdoar e continuar esperando no mesmo lugar? O mundo não funcionava assim.

Com a expressão gelada, Franklin o encarava sem um pingo de compaixão.

— Você diz que ama a Eduarda, não é? — Franklin soltou uma risada irônica. — Então eu vou te dizer uma coisa: se a ama de verdade, se afaste dela agora mesmo. Some da vista dela. Só assim ela vai conseguir ter um pouco de paz.

Ainda com a mão no peito, Cícero olhou para Franklin, tomado pela dor e pela confusão.

— O que você quer dizer com isso?

Franklin não tinha a menor intenção de lhe deixar qualquer esperança, então foi direto ao ponto.

— O médico foi muito claro sobre a condição dela. Se a Eduarda sofrer mais algum choque emocional, as consequências podem ser irreversíveis. Ninguém sabe exatamente o que pode acontecer. Pode não acontecer nada... ou talvez, na próxima vez que ela desmaiar, nunca mais acorde.

Cícero ficou ali, ajoelhado e sozinho por um longo tempo, incapaz de se mover. Não era apenas o mal-estar físico; a tortura emocional o tinha paralisado por completo.

Por que as coisas tinham acabado daquele jeito? Por quê? Por quê?

Ele se fazia essa pergunta sem parar, até perceber que parecia existir uma única resposta: ele mesmo.

Todos os erros tinham nascido das suas antigas obsessões e da sua impulsividade.

Ele tinha acreditado com todas as forças que precisava amar a pessoa “certa”, sem perceber que essa obrigação não passava de uma fixação egoísta.

No passado, ele foi incapaz de separar gratidão de amor, misturando as duas coisas.

Como o próprio Franklin havia apontado, ele “deveria” amar Weleska, a mulher que tinha salvado sua vida.

Mas, no momento em que essa crença virou ação, também marcou o começo do sofrimento de Eduarda. Foi a partir daquele aniversário de casamento que tudo o que ele julgava normal saiu dos trilhos. E, pior ainda, ele nem percebeu o erro na época. Insistiu em seguir por um caminho cego até bater de frente contra um beco sem saída. Só então despertou. Mas já era tarde.

Tarde demais para qualquer coisa.

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