Quando Eduarda acordou, Franklin estava justamente trazendo o jantar pronto. Ele a chamou, e os dois comeram juntos. Mas, como Eduarda ainda sentia uma leve dor de cabeça, resolveu subir cedo para o quarto e descansar.
Depois de se certificar de que a porta do quarto dela, no andar de cima, estava bem fechada, Franklin pegou o celular e saiu daquela bela mansão, caminhando até o pequeno jardim envolvido pela atmosfera da noite.
A primeira coisa que fez foi ligar para o médico responsável e relatar a dor de cabeça que Eduarda tinha sentido naquele dia.
Do outro lado da linha, o médico avaliou:
— Pelo que o senhor descreveu, parece que ela recebeu algum estímulo provocado por palavras ou por pessoas específicas. Minha sugestão é evitar o contato dela com essas fontes de gatilho, para impedir qualquer impacto negativo sobre a saúde neurológica dela.
Franklin guardou aquilo na memória, conversou um pouco mais e encerrou a ligação.
Ficou parado por bastante tempo sob a luz prateada e a atmosfera enevoada da noite. Quando já ia se virar para voltar, seus passos pararam. Ele pegou o celular e fez outra ligação.
O telefone tocou por vários instantes antes de ser atendido.
O olhar de Franklin se tornou profundo e indecifrável enquanto encarava a escuridão do jardim e dizia, num tom sombrio:
— Cícero, a gente precisa conversar.
A resposta de Cícero veio imediatamente:
— Me manda o endereço. Você escolhe o lugar.
Franklin não perdeu tempo com rodeios e desligou em seguida. Pouco depois, o celular de Cícero recebeu uma mensagem com a localização.
Cícero ainda estava no quarto do hotel, pegando o casaco para sair. Damiano, que organizava alguns documentos na sala, perguntou ao vê-lo:
— Sr. Machado, vai sair? Quer que eu o leve?
— Não precisa. — Cícero balançou a cabeça. — Fique aqui e cuide da Weleska. Se acontecer qualquer coisa, me liga.
Damiano concordou e voltou ao sofá para continuar organizando a papelada que o chefe usaria dali a pouco.
Ao sair do quarto, Cícero passou pela porta do quarto de Weleska, parou por um segundo, olhou para a porta e depois seguiu em frente.
Depois que Weleska voltou se sentindo mal, ele naturalmente chamou um médico para examiná-la. Como disseram que não era nada grave, pediu ao médico e aos funcionários que cuidassem bem dela. Fora isso, não havia mais nada que ele pudesse fazer ali.
E agora ele tinha um assunto muito mais importante para resolver.
Cícero dirigiu sozinho até o local marcado por Franklin. Era um trecho de praia relativamente iluminado pelas luzes da orla, então não estava completamente escuro.
Ele estacionou o carro o mais perto possível e caminhou até a areia, onde encontrou Franklin usando um sobretudo comprido. Com o olhar pesado e sombrio, Cícero se aproximou.
Mergulhado nas próprias lembranças, Franklin continuou:
— Eu trouxe a Eduarda aqui. Naquele dia, tudo estava perfeito. A paisagem, o mar, os fogos de artifício, a música. E sabe o que aconteceu nesse cenário lindo?
A voz de Franklin era suave enquanto falava, mas o coração de Cícero falhou numa batida violenta. Seu instinto já avisava que ele não queria ouvir de jeito nenhum o que vinha a seguir.
Encarando Cícero, Franklin declarou com um ar de clara advertência:
— Eu me declarei para ela, e ela aceitou ficar comigo. Agora nós estamos namorando oficialmente. Então você não deveria voltar a aparecer para perturbar a nossa vida.
Ao ouvir aquilo, os olhos de Cícero arderam e ficaram vermelhos no mesmo instante. Ele fechou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, olhando para Franklin com total incredulidade.
Com a voz arranhada, Cícero rosnou:
— Você esqueceu que ela é minha esposa?! Como você teve coragem, Franklin?!
Franklin rebateu, impassível:
— Cícero, acho que quem esqueceu foi você. Vocês dois já se divorciaram. Ela não tem mais ligação nenhuma com você.

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