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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 457

Eduarda olhava para Franklin com seus olhos bonitos e brilhantes, esperando que ele pudesse lhe dar uma resposta.

O corpo de Franklin enrijeceu por um instante, mas logo ele voltou a sorrir. Disfarçou tão bem que Eduarda não percebeu absolutamente nada.

— Não. O que o Cícero... o que ele te disse? — Franklin tentou manter a voz o mais calma possível, sem deixar escapar nada que pudesse despertar suspeitas.

Eduarda continuava confusa, mas não levantou grandes dúvidas.

— Ele falou umas coisas como se o nosso casamento tivesse sido por amor e como se eu tivesse sido apaixonada por ele. Sinceramente, eu não entendi nada do que ele quis dizer.

Com o queixo apoiado no encosto do sofá, ela olhava para Franklin, genuinamente confusa, mas só isso. Não havia nada escondido por trás.

Ao ver aquela reação, Franklin sentiu uma mistura de surpresa e inquietação no peito.

Ele já tinha imaginado que, se Cícero encontrasse Eduarda, acabaria falando de coisas ligadas à memória dela.

Mas, pelo visto, Cícero ainda não tinha ido longe demais, e Eduarda não estava levantando suspeitas sérias sobre si mesma.

Afinal, para uma pessoa que não tem motivo algum para duvidar da própria memória, a falha nunca parece estar dentro dela.

Sendo assim, a situação ainda era muito contornável.

Ela não tinha sofrido nenhum choque emocional; aquilo era só um primeiro sinal, nada que não pudesse ser remediado. Ele ainda tinha meios para lidar com a situação.

Tomando uma decisão em silêncio, Franklin continuou num tom leve e descontraído:

— Talvez ele tenha dito isso de propósito, só para tentar te fazer voltar para ele.

Eduarda franziu os lábios.

— Eu realmente não consigo entender esse homem. Ainda mais agora que nós dois estamos juntos, eu jamais pensaria em voltar para ele. Mas, olhando para o passado, se realmente tivesse existido amor, por que a gente teria terminado e se divorciado? O comportamento dele agora não faz o menor sentido pra mim.

Percebendo que a dúvida dela era sincera, Franklin ficou muito mais aliviado e acompanhou o raciocínio dela:

Os médicos sempre o atendiam com paciência, mas, na maioria das vezes, tratava-se apenas de processos normais de recuperação. A preocupação excessiva de Franklin chegou até a render alguns alertas amistosos por parte deles.

— Sr. Nogueira, o quadro da Sra. Barbosa já não apresenta problemas importantes. Mas o senhor deveria começar a prestar atenção na própria saúde. Temos receio de que essa preocupação excessiva acabe virando um quadro sério de ansiedade. O senhor precisa encontrar um jeito de relaxar um pouco.

Naquela ocasião, Franklin só conseguiu dar um sorriso resignado.

Era impossível não se preocupar. Ela era importante demais para ele, e isso fazia com que a ideia de acidentes, de perdê-la ou de qualquer fator externo que pudesse machucá-la o aterrorizasse.

Mas ele não podia dizer aquilo a Eduarda; não queria colocar sobre ela um peso desnecessário.

Franklin olhou para o sofá e percebeu que, enquanto conversavam, Eduarda tinha adormecido profundamente.

Um sorriso carinhoso surgiu em seu rosto. Vê-la dormindo tranquilamente, tão desarmada ao seu lado, já era uma das coisas mais maravilhosas do mundo.

Franklin passou a se mover com ainda mais delicadeza para não fazer barulho e não atrapalhar o sono dela, enquanto continuava preparando a sopa e outros acompanhamentos saborosos na cozinha.

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